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Sabemos que as Escolas, onde se formam os Enfermeiros, não ensinam tudo. Uma das lacunas é não os prepararem para um mundo cão, onde vão ter que actuar.
Mas também não é menos verdade que não podem ensinar tudo o que lhes vai fazer falta, na vida. Esta os irá ensinando.
Vem este intróito a propósito de uma notícia que li no Diário de Notícias do dia 9.01.2012, segunda-feira. «Enfermeiro de centro de saúde desvia utentes para laboratório privado»
“Vila Pouca de Aguiar: Queixa chegou à Ordem, que está a investigar. Sindicato desconhece”.
Começo por não saber o que é enfermeiro de Centro de Saúde.
Se isto fosse com outros grupos profissionais, nomeadamente com a púdica/o denunciante, que de tão púdica/o, nem o nome deixa percepcionar, não havia denúncias anónimas, covardes.
Trata-se de um colega que trabalhava num laboratório A e mudou-se para o laboratório B.
Como é um bom profissional, naturalmente podia, sem precisar de fazer propaganda, arrastar alguns clientes que o preferissem. Também, já vai havendo, quem escolha os enfermeiros, sempre, que pode.
Nos dias que correm, com a crise à solta, sabe-se o que são necessidades.
Claro que ninguém de bom senso está a ver o enfermeiro a chamar as pessoas ao lado ou ao virar da esquina para os desencaminhar, do laboratório, onde já fez as colheitas. Nessa altura, de onde os desviava?
Não sabemos quais as razões que teve para mudar, mas sabemos que é jogo porco o anónimo motivado, se a motivação for o decréscimo da clientela, como tudo indica, não fica bem estas denúncias e muito menos bem fica a quem lhes dá seguimento.
Lembro-me duma cena esclarecedora que envolve igualmente enfermeiros e laboratórios, por isso os aviso.
O Centro de Saúde de São Mamede de Infesta entrou na ULSM (Unidade de Saúde Local de Matosinhos). A Administração entendeu, por bem, começar as aproveitar os recursos laboratoriais disponíveis, no Hospital Pedro Hispano. Os Enfermeiros dos Centros de Saúde da ULSM começaram a fazer as colheitas.
Pasme-se; do Sindicato dos Técnicos de Análises veio a denúncia de que as colheitas estavam a ser feitas por pessoas sem formação para isso, não idóneas e perigosas.
Tive que ensinar ao senhor presidente dos ditos que um enfermeiro pode, com vantagem, fazer tudo o que faz qualquer paramédico, desde que treine; mas a inversa não é verdadeira.
Até porque, os paramédicos são uma criação recente, mas quem, antes deles, fazia tudo o que fazem, eram os enfermeiros. Foi a escassez de enfermeiros que os fez nascer. Convém não esquecer.
Não deixa de ter a sua graça a surpresa com que o conselho jurisdicional da OE encara esta denúncia, inédita, segundo o presidente do órgão que não deu com o caixote do lixo, para pôr o anónimo denunciante. Anónimo, aqui, é uma força de expressão.
Acautelem-se, Colegas, dos anónimos e de quem lhes dá ouvidos.
Cordiais Saudações Sindicais,
O Presidente da Direção, José Azevedo. |