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Depois da casa roubada, trancas à porta criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
20-Aug-2006

Vários jornais noticiaram hoje um despacho de 18AGO2006 do Ministro da Saúde a impedir “despesas sumptuárias” aos Conselhos de Administração dos Hospitais EPE e SPA. Por despesas sumptuárias entende o Ministro as que os Administradores fazem em proveito próprio como a renovação de móveis, compra de carros de uso particular, etc, etc.

E segundo as opiniões dos jornalistas mais distraídos (não é o nosso caso), foi uma atitude corajosa do ministro. Mas alguém acredita que essas compras não tivessem sido feitas com o acordo tácito do Ministério da Saúde?

Nós não só não acreditamos como acusamos o Sr. Ministro de estar a gozar com os Portugueses. Os seus conselheiros informaram-no tarde de mais do juízo que o Povo está a fazer da sua política. Para branquear essa má impressão que se vai vincando vem extemporaneamente tentar limpar-se, proibindo as aquisições de materiais que já estavam comprados há muito tempo.

Deu como exemplo o Hospital de Guimarães, mas devia dar outros, como o de Santo António e o de São João onde os exageros foram maiores. E não há carros caros só na Alemanha; há-os na Coreia e noutras paragens. Não é por serem menos conhecidos que os BMWs que são mais baratos.

Vejamos algumas notas da música celestial para embalar papalvos. Diz Sua Excelência : “O que falta para assistir a tempo os doentes nos hospitais do SNS sobeja quandose trata de comprar npvos carros BMW topo de gama a alguns administradores hospitalares e mobiliário para compor gabinetes”. Correia de Campos considera tais despesas sumptuárias e tenciona pôr-lhes cobro até final do ano, completa o jornalista do CM.

“Até final do ano os conselhos de Administração dos Hospitais do SNS estão impedidos de realizar quaisquer despesas que não estejam directamente relacionadas com a “missão” prosseguida ou com o objecto daqueles estabelecimentos.”

“Não parece possível qualificar certas despesas como aquisição de novas viaturas (e ele a dar-lhe), para uso pessoal da administração ou mudanças de mobiliário e aquisição de dispendiosos elementos decorativos, para dar apenas alguns exemplos como despesas essenciais ou indispensáveis”.

Entusiasmado com o eco das suas palavras, que até pareciam convincentes para o Povo pagante, continua na senda manipuladora e demagógica:

- “Seria incompreensível e comprovaria a inadequação dos respectivos gestores dos cargos de membros de conselho de administração de Hospital, seja EPE ou SPA”.

Vai caber às ARSs transmitir as orientações do Ministério, aos Hospitais da sua área de influência, o que deverá acontecer no final da semana. Já aconteceu?

Embora aproveite para tecer duras críticas às decisões de administrações hospitalares em matéria de gastos, Correia de Campos justifica a proibição invocando “o esforço que a todos é exigido, para equilíbrio das contas públicas”.

Se o Sr. Ministro não estivesse a reinar connosco, já devia ter demitido esses administradores gastadores.

Ou será que já não há códigos de honra e vergonha nos seus escolhidos?

Mas antes disso suprimia, a começar por si próprio as “mordomias” inerentes aos cargos, que ocupam.

Lá está mais uma pequena contribuição para a vil prática deste Governo e seus Ministros, de entregar à opinião pública o julgamento de pessoas que constituem uma minoria, para que o Povo vá pagando sem bufar, as contas cada vez maiores com a saúde, que de tendencialmente gratuita, passou a tendencialmente paguita.

É de baixo nível este golpe.

Os Enfermeiros já tiveram os seus cortes.

Os Médicos cortaram naquilo que já não tinham, como muito bem disse o DC do Hospital de São João.

E quando for preciso trabalhar com entusiasmo e dedicação, será a “turba multa” que vai fazer o trabalho dedicado, além da corrente ou torrente de opinião?

Quantos carros e respectivas marcas, quer o Sr. Ministro que lhe assinalemos, que foram já comprados, para lhe provar que estávamos, também a fingir que não sabíamos.

Os do HSJ têm as costas tão quentes pelo abrigo que até tiveram a coragem de na mesma folha em que tiravam os horários acrescidos aos enfermeiros, já diziam que tinham direito a comprar cinco viaturas, porque cinco são os maiorais. E compraram.

Mude de estratégia, Sr. Ministro, porque essa já não convence ninguém. Só aumenta as despesas com a publicitação indirecta, de coisas de valor menos que zero.

 
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