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Carta à Enfª Chefe do Centro de Saúde de Valongo criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
22-Aug-2006

Após reunião havida com os Enfermeiros desse Centro de Saúde, em 31 de Julho p.p. verificamos que há uma assimetria na equipa prestadora de cuidados, cotejada com a realidade número das pessoas a atender e trabalho que solicitam de cada um dos intervenientes.

Sendo cerca de 20 as consultas médicas no “SASU”, não vemos uma razão directa com o aumento de Médicos para 3, que nos parece exagerado.

Entretanto, os Enfermeiros têm de atender, nos cuidados requeridos pelas 20 consultas (médias) feitas por 3 médicos, mais as que aparecerem directamente para eles, mesmo que disfarçadas de consultas médicas para “enchimento” de espaços livres.

Ao contrário do que aconteceu com os Médicos, que passaram de 2 para 3, os Enfermeiros passaram de 2 para 1.

A ser assim, como a escala de serviço demonstra, há aqui uma incongruência radical.

Com efeito, ou os Médicos são aumentados de 2 para 3, porque há acréscimo de serviço, que o justifica;

Ou são aumentados para arranjo de horários e honorários, o que se considera abusivo relativamente à “contenção nominal de despesa” do Sr. Ministro da Saúde.

Se o aumento do número de Médicos é feito, em função deste 2º [ou], não resulta do aumento de consulentes e, por essa razão, não se justificaria o aumento dos Enfermeiros de 2 para 3, no mesmo serviço — SASU;

Porém, se, em vez de aumentar os Enfermeiros de 2 para 3, como aconteceu com os Médicos, minguaram de 2 para 1… há uma incoerência grave na planificação do trabalho de cada um dos intervenientes.

Defendemos, sempre, a evidência de os Serviços (sejam Centros de Saúde, sejam de Hospitais) serem dirigidos por uma direcção, órgão colegial, e não “à índio”, com o “Grande Chefe Cabeça de Abóbora” a emitir os sinais de fumo. Claro é supor que esta defesa pressupõe cada um dos dirigentes a ocupar, objectivamente, o seu cargo e a cuidar da solução de problemáticas específicas, no conjunto.

Neste caso, parece haver erro de cálculo grave. Desse facto nos deram conhecimento os Enfermeiros vítimas da circunstância, na reunião acima referida, que não hesitam em recorrer a soluções drásticas, para corrigirem erros que, nem sequer deviam existir, se o serviço de cada profissional fosse bem planeado e, em conjunto, pela Direcção do CS, o que parece não ter existido, dado o aumento de serviço para o lado dos Enfermeiros.

Ou será que têm de ser estes a pagar, em exclusivo, as reduções da despesa?

Já que estamos a falar de equipas, seria bom não as mancar, no que é essencial, como são os cuidados de Enfermagem, nestas situações. Não dizemos nada de novo se adiantarmos que muitas destas consultas médicas resultam de problemas que os Enfermeiros estão à altura de resolver, se lhes derem tempo e modo para isso.

Propomos uma reunião com a Direcção do CS, tendente à análise e solução deste problema, para a manutenção de 2 ou 3 Enfermeiros a partir de Setembro próximo, no serviço de SASU, desse Centro de Saúde.

Se a proposta de diálogo não for aceite, então este ofício serve para avisar de que a greve dos Enfermeiros ao SASU, com abandono, será uma realidade, decorridos os prazos legais.

 
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