| A qualidade na Saúde |
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| 23-Aug-2006 | |
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O Sr. Ministro da Saúde enche a boca com a “qualidade da saúde”. Faz tudo em nome da qualidade. Mas que quererá dizer “qualidade” para o Sr. Ministro? Começamos pela substância deste substantivo (qualidade) e a gramática diz-nos que não tem. Tal como muitos outros terminados em “ade”, qualid’ade’ faz parte do conjunto dos substantivos abstractos. Afinal o Sr. Ministro tem todas as certezas que há no seu mundo e o da sua cabeça, porque, cinicamente, não referiu que tudo isso se baseia numa abstracção. Acerca de nada ele é a certeza personificada. Para ele o que está em causa é a qualidade dos cuidados, por isso encerra maternidades; nomeia incompetentes para elevados cargos de gestão; encerra Centros de Saúde; retira médicos de um sítio para por naquele nado-morto que são as USF, que o chefe dos clínicos gerais lhe impingiu, como a quintessência; encerra maternidades para facilitar o parto em terras de Espanha, aldeias de Portugal: tudo em nome da qualidade. Este Ministro da Saúde é um brincalhão, pois fala da qualidade sem nos caracterizar a dita; se é boa ou má; muita ou pouca, obviamente em relação à qualidade que tínhamos. Como não objectiva a qualidade que mantém, propositadamente, ou não, como uma abstracção, fala e age em nome de nada, com pompa e circunstância. Faz pena e não só ele como os jornalistas que têm de gastar rios de tinta em nome de nada. Se não fosse a degradação progressiva que está a consumir o SNS, até pensávamos que também eram atraídos pelo niilismo ministerial. Pelo menos podemos esperar por uma qualidade cada vez pior. Provavelmente é isso que Sua Excelência quer dizer, mas não consegue objectivar a palavra ‘qualidade’ essa abstracção real. |
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