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De coice de burro ninguém está livre criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
31-Aug-2006

Diz o povo que burro velho, não aprende línguas. Nós temos uma opinião diferente: burro velho não quer aprender. 

Para aqueles que têm por hábito ler “Notícias Magazine”, que sai ao Domingo com os “JN” e “DN”, vão encontrar na edição do dia 23 de Julho p.p. da autoria de um provocador de nome ou pseudonome Manuel Ribeiro, o Economista, uma manifestação de horror às doutorices e aos doutores mais modernos, que fogem aos ritos do trivium e quadrivium medievais.

E diz: «Estes gajos, seguramente devido à sua tenra idade, ainda não perceberam o logro em que estão a cair. Vivem na ilusão de que se abocanharem um título de doutor, ficam com a vidinha arrumada e a partir dali aquilo é só empregos do melhor e gajas boas a fazer bicha.».

E continua: «Temos hoje doutores para tudo. Semearam aquelas centenas de universidades e cursos estúpidos (os de contabilista e economista incluídos) distribuindo diplomas doutorais…. O que vale é que a generalidade da população ainda não se apercebeu do logro em que está a cair, continuando a reverenciar com humildade todo o bicho careta…. Perante a apatia dos poderes públicos só resta à sociedade civil organizar-se na defesa dos seus legítimos direitos….Todos esses cursos esquisitos paridos a martelo devem ser liminarmente banidos. Não faltava mais nada senão termos de chamar doutor ao enfermeiro do centro de saúde (ó doutor, muda-me aqui o penso?». 

No princípio era o “verbo”, agora é a verve, a facúndia, destes novos mensageiros da nova episteme universal: — a Economia e os Economistas, que são a última palavra em tudo. Tudo o que sai da sua facundidade é orçamental; é taxativo.

Por isso se este provocador Ribeiro diz dos doutores modernos o que diz é porque lá em casa não tem espelho, para ver como fica.

Ensinaram-no a brincar com números e julga que pode brincar com tudo. Lá longe a verdade vinha dos teólogos; depois passou a vir dos filósofos; hoje vem dos economistas. Portanto se ele diz é verdade: dão cursos superiores a torto e a direito a começar por ele. Quanto aos enfermeiros, têm o sufixo “eiro” da acção, mas têm o saber teórico para lidarem com qualquer merdeiro, como é o caso.

 
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