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As 10 histórias quentes de que toda a gente fala esta semana criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
03-Sep-2006

Aos Enfermeiros calhou-lhes a 6ª. A “Grazia” nº 33 de 31 de Agosto é uma revista que se debruçou sobre as nossas dificuldades.

Com o título “10 histórias quentes de que toda a gente fala esta semana” vem a história das fardas amarelas dos Centros de Saúde da ULSM de Matosinhos.

 

Humor não falta a quem escreve. Comece com “greve do enfermeiros” e “se todos gostássemos de amarelo estávamos a salvo”. E continua:

«Os Enfermeiros da ULSM estão em greve porque se recusam a usar a farda amarela (o quê) que lhes foi imposta pela administração (Amarelo???) Impressionante, de facto.

Os profissionais consideram que esta cor descaracteriza a profissão e lutam pelo regresso à farda azul, símbolo inquestionável da arte de enfermagem, segundos os próprios”.

Há aqui um pequeno lapso: os Enfermeiros não querem é deixar a cor branca da farda, pois é esta e não a cor azul que os caracteriza. Até os combatentes, quando se rendem ao inimigo usam o branco, cor neutral. É que o branco é a soma de todas as cores do espectro solar, como é universal o atendimento de quem nos procura e precisa de ajuda.

Será, por sermos enfermeiros que perdemos o direito a termos os nossos gostos?

Um exemplo: durante muitos anos a roupa usada em blocos cirúrgicos de determinado hospital, era amarela. Ninguém conseguia explicar a causa da preferência. Era tão simples como isto; nos serviços do IPO é usada a cor amarela para não contrastar muito com a dos doentes oncológicos. O director clínico emitiu a sua opinião sobre a cor da roupa a usar no bloco e, sem saber das causas destas coisas ditou o amarelo.

É provável que tenha sido um raciocínio deste jeito que ditou a imposição da farda amarela, isto na melhor das hipóteses.

Quando perguntaram a razão de ser daquela cor naquela roupa, o autor da ideia não sabia. Só se lembrava que a roupa usada nas salas onde operava frequentemente, era amarela.

Não é que a cor escolhida, a seguir, foi o verde!

Estoutro acaso fez com as duas cores mais vistas na natureza (o verde e o amarelo) se alternassem.

Depois segue-se uma concessão aos doutores médicos: «….Estamos inteiramente solidários com esta luta. Amarelo? Mas é que é um ultraje inadmissível! Vendam essa cor aos médicos, ou aos juízes!... Agora… à enfermagem? Como é que ficava a saúde dos doentes? D. Alzira, enfermeira-chefe (que prefere o anonimato), garante não se tratar apenas da cor. Além disso ao que tudo indica, têm um péssimo corte.

Ah, bom, agora já compreendemos melhor; caso contrário não imaginaríamos que uma simples cor fosse motivo suficiente para demover estes bravos profissionais da injecção e da algália de continuarem a exercer a sua profissão (Que doente, a morrer nas intermináveis filas de espera das operações, consegue imaginar pior problema no sistema de saúde do que obrigado a vestir-se de amarelo? E as socas? Não percebemos porque (aqui a brincalhona da jornalista não se apercebeu que este “que” deste “por”, é separado porque é pronome relativo, isto é; tem um antecedente que é a subentendida razão. Até a pensávamos culta…) não se queixam daqueles acessoriozinhos sem graça. Uns sapatos Prada, esses sim, dariam muito mais prestígio à profissão). Além do mais, com batas cor de ovo, os enfermeiros ficam muito mais visíveis para os chatos dos pacientes, que se acumulam nos corredores desta unidade de saúde, sempre a queixar-se por tudo e por nada. Não é verdade? Nós próprias quando viemos trabalhar para a Grazia e vimos o tom pastel das paredes, ficamos horrorizadas. Como é que tinham a lata (não há outro termo) de nos propor fazer uma revista com GRAZIA num cenário de pastel? Dá para acreditar? Camaradas enfermeiros, sugerimos, efectivamente, que façam greve todas as sextas e segundas. Connosco resultou e davam imenso jeito! É verdade, Fátima Lopes a estilista, parece-nos ser a pessoa ideal para vos criar umas batas personalizadas.

Se isto da greve fosse para rir esta desconhecida nem jeito tem para nos fazer rir. Não percebeu patavina do que se passa, embora tenha andado lá perto. De facto aquela farda é boa para quem tem de socorrer acidentados na via pública, como acontece com a malta do INEM. Só estragou tudo ao fazer dos corredores pequenos, dos Centros de Saúde, para os Enfermeiros, porque não fazemos esperar ninguém. A distância entre nós e os utentes é muito curta. Além disso não tem problemas de identificação, como acontece com os colectes das viaturas, nas estradas, porque as cadeiras de rodas são as únicas viaturas que por ali circulam e a baixa velocidade sem perigo de atropelamento.

De um modo geral os doentes não são chatos para os enfermeiros, mesmo quando têm de meter um espéculo, numa virgem (temo-los de vários tamanhos, consoante as aberturas); uma algália, num prostático; uma injecção em quem dela precisa, seja qual for o calibre da agulha. O nosso profissionalismo é imperativo; o silêncio e o respeito são.

Os gostos não se discutem, embora haja muita gente os tem estragados e não parece ser o caso dos enfermeiros.

Senhora autora da 6ª estória quente, num total de 10, por que pôs tão pouca lenha no aquecimento da nossa 6ª?

Quem lhe deu as outras 5, que estavam bem mais quentes?

Não tenha medo de se queimar. Nós fazemos-lhe os pensos de graça e com todo os gosto.

“Vale”!!!

 
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