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"Em caso algum podemos aceitar que a Medicina seja entendida como um negócio" criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
04-Sep-2006

Foi com esta frase, extraída do Editorial da ROM, da autoria do Sr. Bastonário da OM que nos retirámos para reflectir. 

Estamos de acordo com o Dr. Pedro Nunes: a Medicina não é isso. Seria uma ideia demasiado redutora, reduzir toda a nobreza da “Arte” ao negócio; seria confundir os meios com os fins. Ora o negócio não é um fim da Medicina, em si mesmo.


Mesmo que haja Médicos meio negociantes, nem por isso podemos classificar a medicina na área do negócio.

Não temos obrigações para com a OM. Muitas vezes criticamos algumas atitudes de membros seus no desempenho de graus maiores ou menores de representatividade da Classe.

Com a mesma coerência, louvamos a coragem do seu Bastonário ao recusar-se a afiar a faca com que o Governo ou lá quem é, quer cortar o pescoço aos liberais da saúde, usando uma estrutura ética criada com o pomposo nome de reguladora da saúde — Entidade Reguladora da Saúde — ERS. 

A ser atribuído um imposto aos profissionais da saúde o princípio gerador da ideia de haver uma entidade reguladora, perde toda a legitimidade e nem de longe pode ter algo a ver com éticas ou bioéticas. Só se tiver a ver com a ética dos assaltantes do nosso bolso, ou bolsa.

A expressão: “A Bolsa ou a Vida”, foi uma forma encontrada para o comum dos mortais poder ter uma saída airosa: ou escolhiam os bens terrenos, desse que enchem a bolsa; ou optavam pela Vida eterna. Pelo meio, a imaginação humana inventou o “Purgatório”, para conciliar a bolsa com a Vida Eterna, através da permanência de uns dias no dito purgatório, concessão feita à burguesia endinheirada, que levou, na terra vida folgada e milagrosa.

Mas nem sempre este princípio tem sido correctamente interpretado: que um ladrão se engane e vocifere, numa esquina: — a bolsa ou a vida, vá que não vá.

Agora que uma entidade que foi criada para regular a saúde se destine a regular a bolsa do pessoal da saúde (não sabemos se os auditores da saúde que por aí pululam, também estão sujeitos a “Reguladora de Famalicão”).

Enfim, tomáramos nós ter um bastonário que tomasse idêntica atitude à do Bastonário da Ordem dos Médicos.

Para já, o tributo aos Enfermeiros está a ser superior em 500€ por cabeça ao dos Médicos, em igualdade de circunstâncias.

Afiar a faca para cortar melhor o nosso pescoço, não é ético!!!

 
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