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15-Sep-2006

Começa nos anos 40 a maior tentativa de organizar a Enfermagem, no nosso País. Dos preâmbulos dos decretos, então publicados, ressalta essa preocupação. Mas organizar não significa, no nosso caso, anular todo o passado, para escrever um novo futuro. Pelo contrario, pretendeu-se criar condições modelares, que servissem de exemplo aos restantes. Abriram-se, deste modo, novos horizontes à nossa profissão.

Neste espírito de renovação surge a Escola Técnica de Enfermeiras, na dependência do Instituto Português de Oncologia. Ideia e concretização correctas na época, podemos hoje apontar-lhes as virtudes que o tempo diluiu e, nalguns casos, transformou em defeitos. Os alunos tinham um grau de habilitações superior à medis das outras escolas, igualmente na dependência de hospitais; eram exclusivamente do sexo feminino. O ensino oficial foi, em grande parte, ministrado e apoiado por enfermeiras vindas doutras paragens, onde experiência idêntica tinha sido feita.

O campo de estágio era essencialmente o Instituto, onde os doentes são mais ou menos oncológicos. Criou-se assim uma escola fechada, auto-suficiente, sem querer ou poder notar o que se passava à sua volta.

Com as características que vimos a apontar estavam criadas as condições para que a escola envelhecesse ou desaparecesse com os seus fundadores. Era apenas uma questão de tempo. Não desapareceu mas é evidente que envelheceu.

Criada para modelo, ajudada por dentro e subsidiada por fora, formou enfermeiras, para a época altamente qualificadas e também, e, igual grau, previligiadas, pois as que não tinham lugar no instituto iam, logo, ocupar lugares de topo na hierarquia da enfermagem, em serviços criados ou a criar. As habilitações adquiridas naquela Escola eram incontestadas e incontestáveis. O diploma de curso, que curiosamente nem precisava de nota, era a melhor carta de recomendação. Hoje é uma Escola marginalizada e metida na sua cápsula. Não se contesta o valor que a Escola teve, nem o mérito dos profissionais que formou. Lamenta-se a incapacidade de renovação.

À medida que as escolas anexas iam formando Enfermeiros que não tinham lugar nesses mesmos hospitais, ensaiavam os Sindicatos dos Enfermeiros passos decisivos na dignificação da classe.

Basta recordar que só a partir de 1944 foi proibido o  exercício da enfermagem a pessoas não habilitadas com um curso de Enfermagem e apenas a partir de 1950 nas instituições hospitalares.

O facto de se ter proibido o exercício legal, primeiramente fora dos hospitais e, só depois, nestes, denota já a influência dos Sindicatos da época.

 
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