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1957 - Sindicato Nacional dos Profissionais de Enfermagem do Distrito do Porto criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
15-Sep-2006

Não parecia justo que tendo sido o Porto o primeiro centro a organizar-se, ficasse relegado para a posição de Secção (a sua posição de Secção dava um aspecto de inferioridade e dependência mais aparente que real dos seus dirigentes perante os de Lisboa como Sindicato Nacional). Os dirigentes da Secção cessante quiseram assim tomar a iniciativa da criação do Sindicato do Porto, encontrando por parte do então Delegado do I.N.T.P – Dr. Valadão Chagas, a melhor vontade e decidida colaboração aproveitando assim a oportunidade para dar expressão ao desejo manifestado por Sua Excelência o Senhor Ministro das Corporações e Previdência Social de criar os Sindicatos nacionais do Porto, Coimbra e Funchal, para juntamente com o de Lisboa tornar possível a Federação e assim completar o plano de Corporações, principal finalidade da Organização Corporativa.

Nesta data, a citada Secção Norte do Sindicato nacional dos profissionais de Enfermagem foi reconvertida em Sindicato autónomo, passando então a designar-se Sindicato nacional dos profissionais de Enfermagem do Distrito do Porto – uma das maiores aspirações dos Enfermeiros nortenhos e recordação viva dos esforços feitos para que a desejada autonomia se concretizasse.

Este facto teve origem na constatação inequívoca da inoperância das acções centralizadas em Lisboa. Na generalidade dos Enfermeiros da zona norte estabelecia-se um clima de insatisfação, pela não solução dos seus problemas específicos. Numa palavra, o Sindicato único não correspondeu às expectativas que nele haviam criado.

Daí o grande movimento que se gerou com vista a estabelecerem, no Porto, um organismo independente.


Pelas 15 horas, do dia 1 de Junho, de 1957, inaugurou-se solenemente a sede social do novo Sindicato. Ali, na Rua de Cedofeita, nº484, ocupando o 1º andar de um dos melhores prédios daquela rua. Dependências amplas, reunindo certo conforto e dotadas daquele ambiente a que o prestígio da nossa profissão há muito impunha, não sendo esquecida a candeia de Florence Nightingale que, com a sua chama votiva, ficará para sempre a iluminar a imagem de S. João de Deus.

E uma vez mais a capacidade de acção, o brio, a determinação característica da população nortenha é demonstrada. Nesta ordem de ideias foi pedida a Sua Excelência, o Sr. Ministro das Coorporações, a transição de Secção para Sindicato.

Em 29 de Março de 1957, por Alvará da mesma data, foram aprovados os Estatutos do Sindicato Nacional de Enfermagem do Distrito do Porto ( abrangendo os distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Porto, Viana do Castelo e Vila Real ) que, no seu artigo 1º determinavam : - “É constituído o Sindicato Nacional dos Profissionais de Enfermagem do Distrito do Porto, com sede no Porto, pela conversão em Sindicato da Secção do Porto do Sindicato Nacional dos Profissionais de Enfermagem, sucedendo em todos os bens e direitos daquela”.

Assim se concretizava uma das maiores aspirações da Classe: o retorno da Secção do Norte do S.N.P.E à sua categoria de Sindicato Nacional.

Ecos nº 33 de 1957:

“Sua Excelência o Senhor Primeiro Ministro das Coorporações e Previdência Social, por Alvará de 29 de Março de 1957, concedendo aos Profissionais de Enfermagem que exercem a sua actividade nos distritos do Porto, Braga, Bragança, Aveiro, Viana do Castelo e Vila Real um privilégio tão alto e justo, concretizou uma das nossas maiores aspirações”.

“Ouvem-se palavras de agradecimento profundo ao Sr. José Calheiros, representante dos Profissionais de Enfermagem do Norte, palavras - emoção, deficientemente pronunciadas, porque eram bem sentidas, bem dentro do seu ser; ouvem-se ainda, agora mais lentas e convictas, mais fortes, palavras de fé num futuro mais radioso para a Classe”.

“Em manifestação de regozijo, pelo facto de Sua Exª o Senhor Ministro das Coorporações e Previdência Social ter criado recentemente o Sindicato nacional dos profissionais de Enfermagem, com sede nesta cidade, foi prestada significativa e espontânea homenagem ao Senhor Dr. Orlando Valadão Chagas, ilustre Delegado do I.N.T.P do Porto. Assim pelas 10 horas do dia 15 do corrente, a Ex-Direcção da Secção Regional do Norte do S.N.P.E; compareceu no I.N.T.P, acompanhado por elevado número de Enfermeiros dos mais representativos, para testemunhar ao Senhor Dr. Valadão Chagas a alegria sentida pela Classe e a sua indelével gratidão pela concretização do sonho mais querido dos profissionais de Enfermagem do Norte:

- o retorno da Secção à sua antiga categoria de Sindicato nacional.

Falou o Ex-Presidente da Secção, o Senhor José Calheiros que, vivamente emocionado, dirigiu a Sua Exª o Senhor Dr. Valadão Chagas, algumas palavras de profundo agradecimento”.


Ecos nº 34 de 1957:

“Por despacho de Sua Exª. o Senhor Ministro das Coorporações e Previdência Social, foi nomeada a Comissão administrativa que vai dirigir os destinos do novo Sindicato, constituída pelos Senhores José Arnaldo Campelo Calheiros – Presidente, Luiz Augusto de Jesus – Secretario e Artur José Dias – Tesoureiro.”

 

Ecos de Enfermagem nº 30 de 1957: As Delegações

“Por despacho de Sua Excelência o Senhor Ministro das Coorporações e Previdência Social, foi sancionado o Senhor José da Silva Fernandes para Delegado do S.N.P.E. na cidade de Braga. O Senhor José da Silva Fernandes exerce a sua actividade profissional no Hospital de S. Marcos, onde goza de geral simpatia, pelos seus méritos profissionais e fina educação. Com o presente despacho fica completamente solucionada a crise existente relativa ao delegado de Braga, que se vinha arrastando à alguns meses.


Ecos de Enfermagem nº 37 de 1975:

“Constitui uma interessante cerimónia o acto de Posse do Delegado em Braga do S.N.P. e do Distrito do Porto, que teve lugar às 17 horas do dia 27 de Julho, no I.N.T.P. daquela cidade, e a que presidiu o Subdelegado daquele Instituto, Exmo. Senhor Dr. Ilídio Neves dos Reis.

Na Mesa de Honra, tomaram lugar as seguintes individualidades: Dr. Teotónio Santos, Director da Escola de Enfermagem “Dr. Henrique Teles”, Dr. Francisco Pestana da Silva, Delegado de Saúde do Distrito, Capitão Delmar Fernandes, 2º Comandante da G.N.R; José Calheiros, Luiz de Jesus e Artur José Dias, respectivamente, Presidente, Secretario e tesoureiro da Comissão Administrativa do Sindicato, José Fernandes, novo Delegado do mesmo Organismo e o Delegado de Guimarães, Senhor Luiz Teles de Macedo”.

“A Sede da Delegação de Braga será um facto. A Comissão Administrativa do S.N.P.E. do Distrito do Porto, acompanhada pelo Sr. Dr. António Ilídio Neves Reis, foi recebido por sua Exª o Sr. Dr. Valentim de Almeida Sousa, Delegado do I.N.T.P. de Braga, a quem expôs vários problemas para a Classe naquele Distrito.

Está no programa do Sindicato a criação naquela cidade da sede da respectiva Delegação.

O senhor Delegado do I.N.T.P de Braga apoia tal ideia, interessando-se pessoalmente para que se arranje uma sede condigna dentro das nossas possibilidades.”

“A Vila de Matosinhos, uma das mais progressistas do Norte do Pais, já possui uma delegação do nosso Sindicato. Foi sancionado para ocupar o cargo de novo Delegado daquele concelho o Senhor José Quelhas Fernandes, possuidor de uma óptima situação e vontade férrea para bem se desempenhar de tão espinhoso cargo. Os profissionais de Enfermagem de Matosinhos têm no novo delegado do Sindicato, um acérrimo defensor dos seus interesses, bem merecendo o amparo e incitamento de todos os nossos dedicados associados”.

 

Ecos da Enfermagem nº 38 de 1957:

“Por despacho de Sua Exº o Senhor Ministro das Coorporações e Previdência Social, acaba de ser sancionado para delegado do nosso Sindicato no Distrito de Viana do castelo o nosso distinto colega José Manuel ferreira de Sousa, digno sargento - Enfermeiro da Cruz Vermelha Portuguesa, que goza d geral simpatia e prestígio na princesa do Lima”.

 

Ecos de Enfermagem nº 38: XXIV Aniversário da Promulgação do Estatuto  do Trabalho Nacional

“Foi vivamente festejado na cidade do Porto, que recebeu condignamente dirigentes corporativos de todo o país.

Comemorar o dia 23 de Setembro é para nós, portugueses, um motivo de satisfação e orgulho, pela obra nascida do Estatuto do Trabalho Nacional. A nossa fé aumenta á medida que aquele estatuto é cumprido, aperfeiçoado e actualizado por homens da envergadura de Salazar e de Veiga de Macedo, cujo sacrifício pela nossa causa, pela causa dos trabalhadores portugueses, bem merece a nossa veneração, a nossa profunda gratidão e estima. Justificado está pois, o grande entusiasmo dos trabalhadores, que se deslocaram de todo o continente a esta cidade do Porto, por excelência a cidade do trabalho que tão galhardamente demonstrou os seus pergaminhos de hospitalidade. Jamais o Porto e todos quantos viveram este grande momento histórico poderão esquecer tão salutar jornada de fé nos destinos do Coorporativismo nacional que Sua Exª o Senhor Dr. Veiga de Macedo procura afincadamente levar a bom porto....”

 
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