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Finalmente a verdade da Cesariana (2) criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
15-Sep-2006

Quando Michel Odent, médico obstetra, veio, em 2005 a Portugal, lançar o livro “A Cesariana, operação de salvamento ou indústria do nascimento” percebeu-se que, escrever este livro, após mil cesarianas, mais do que um acto de contrição, é um alerta a Portugal, onde a coisa está a ficar feia.

Os observadores da “praxis cientificae”, médica descobrem, finalmente, que a cesariana impede a criança nascente de tomar o último banho útil, que só a mãe pode dar, na travessia do canal de parto, tão útil, que a prepara para enfrentar, com êxito, os primeiros tempos de vida extra uterina.

Quando o Dr. Miguel Leão, presidente do Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, atacou intencional e corporativamente a experiência nobre e salvadora que as parteiras da área de Matosinhos estavam a fazer, começando por seguir as grávidas, no Centro de Saúde, assistindo-as, depois, no parto, no Hospital de Matosinhos, matou uma tentativa de reactivar a existência de parteiras, no sítio certo e na função correcta. Leão talvez nem soubesse tratar-se de comércio e indústria, no seguimento da gravidez e no parto, mas não tinha, como se vê, nenhum dado cientificamente válido, para impedi-las de exercerem a sua arte, como manda a directiva comunitária 80/155, artº 4º. Aqui o laxismo comodista das Parteiras é tão responsável como os ataques leoninos.

Michel é insuspeito ao afirmar que um parto normal é obra duma parteira, sentada aos pés da cama da parturiente a tricotar, em silêncio. A oxitocina, “hormona do amor”, que comanda com soberania, desde o acto sexual criador, ao parto e aleitamento, precisa, para ser segregada em quantidade suficiente, de “fintar” o neocortex, (parte intelectiva), que entra em acção com perguntas inúteis, o ruído e luz fortes, entre outros estímulos,  perturbando o parto.

Está demonstrado que a taxa de cesarianas se mede pela diferença entre o número de parteiras e o de médicos obstetras: se mais parteiras, menos cesarianas e vice-versa.

A nossa afeição e tendência para o novo-riquismo bacoco, leva a valorizar o médico e não a parteira, num acto (o parto) onde a Natureza comanda com soberania, por isso programou o organismo humano. São ridículos os argumentos de largura da bacia feminina e outras obscenidades, para justificarem, mais uma vez, sem qualquer suporte científico, a capacidade de a mulher parir normalmente. Quando a Natureza aumentou a cubicagem da caixa craniana do ser humano de 750 cc para 1350, adaptou a bacia feminina e elastificou suficientemente os respectivos ossos.

Correia de Campos pecou no encerramento das maternidades, porque ouviu de mais os obstetras e de menos as parteiras. Devia ter deixado mais destas e menos daqueles, para reduzir o número de cesarianas. Era preferível aumentar o número de parteiras e de partos normais a manda as mulheres parir a Espanha (de onde não vem bom vento nem bom casamento). 

Os partos normais inutilizam a fauna que proliferou com a invenção das unidades de Neonatologia, porque a travessia normal do canal de parto, isto é; “parto por baixo”, traz de brinde a resistência, que a mãe, através das hormonas naturais, outorga ao filho, no parto natural, dispensando os artifícios criados para salvar prematuros espontâneos, mediante cuidados intensivos de incubadora, substituto artificial do útero materno. Convém não esquecer que as cesarianas provocadas (ditas comerciais) são formas abortivas de produzir prematuros artificialmente, dependentes, como os prematuros espontâneos, das incubadoras.

Se o MS percebesse coisas simples, não precisava de ver a saúde do Povo pela sua óptica de “mestre na área económica”, e pela outra forma distorcida, ao dar exclusiva importância ao cientismo médico.

Aliás, o seu erro é o de muito boa gente: ouvem muito os médicos e pouco os Enfermeiros, no caso, as Parteiras. Depois de montar serviços de acordo com o que parece melhor ao médico, na sua óptica, necessariamente limitada e, nem sempre lógica, vêm as correcções atabalhoadas, impostas pelas descobertas da ciência, isto é; da Natureza ao mostrar-se inequivocamente.

Não se exija ao médico explicações de fenómenos que desconhece, porque emite palpites, para não ficar calado. Depois, aceitam-se os desmentidos e choram-se as vítimas do erro.

Quando os Enfermeiros forçarem a porta com a evidência do seu saber, as coisas simplificam-se. Tornam-se mais naturais e humanas. Mas, segundo M.Odent, se o objectivo é reduzir as taxas de cesarianas, a prioridade devia ser “mamiferizar”o parto. Por outras palavras, precisa de ser desumanizado.

A “hormona do amor”injectada, para desencadear rapidamente o parto, não atinge o cérebro, como provou a experiência histórica de Prange e Pedersen, em ratas virgens.

“É importante sublinhar que a oxitocina (hormona do amor) faz sempre parte de um equilíbrio hormonal complexo. Uma libertação súbita de oxitocina é sempre acompanhada de uma necessidade de amar, que pode ir em diferentes direcções….É por isso que há tantas formas de amor”, diz M.Odent.

Apelamos ao cidadão detentor de direitos humanos universais para ouvir mais as parteiras e menos os médicos, em questões de amor “oxitocínico”. Perdem os comerciantes, mas lucram os promotores de acções não lucrativas.


 
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