| O novíssimo "Sol" faz luz |
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| 18-Sep-2006 | |
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Sobre a ameaça de escuridão prevista sobre o fecho de 14 urgências "O governo pretende fechar 14 urgências hospitalares no país – duas em Lisboa, 5 no Norte e 7 no Centro. A decisão foi tomada por uma comissão de peritos – nomeada para definir a nova rede de Urgências do País – e apresentada esta semana ao ministro da Saúde", relata o Sol na sua primeira edição. Quem são este peritos; quem os formou; onde nasceram; como cresceram em idade e sabedoria e quem os alimentou e alimenta? Este governo na sua generosidade reformadora não se cansa de propagandear coisas novas e miraculosas. A capacidade de invenção passa por uma palavra nova, dos chamados neologismos, que são “os peritos”. Basta pôr-lhes o rótulo e tudo o que vem deles é de infalível proveniência! Quem se atreve a duvidar de um perito? Perito é um especialista altamente qualificado que, sobre a matéria da sua peritagem, já cometeu todos os erros possíveis. Daqui em diante já não erra porque, justamente, cometeu todos os erros possíveis. Por isso estes peritos ou são uns farsantes, como muitos que estão a revelar-se; ou são uma daquelas criações à Correia de Campos, “made in Telheiras’s school” para justificar as suas reduções drásticas, na Saúde, para dar um ar de erudição e sabedoria às suas atitudes. Que sábios critérios criaram estes sábios de Telheiras para garantirem a infalibilidade das suas propostas redutoras?! Já vimos que são 3 as hipóteses de encaixe das situações de urgência: a Polivalência, a Médico-cirúrgica e a Básica. O que as diferencia e caracteriza são as quantidades de profissionais médicos e de enfermagem. A polivalente, como o nome indica, tem tudo. Polivalência não são as valências “políticas” da “polis”, da cidade. Embora neste caso uma coisa coincida com a outra, a essência da coisa é de que o estado do doente tem de dar garantias de mais de 60 minutos de vida para chegar vivo ao seu destino polivalente onde os “adivinhos” descobrem a coisa que afecta o doente e o encaminham pelos longos corredores e espaços perdidos, onde perdem e recuperam tempo, às vezes eterno. Também não se deve confundir médico-cirúrgico com “médio-cirúrgico”. Aqui, os hospitais concorrentes têm de estar a ± 60 minutos das vítimas assaltadas por situação de urgência. Os que estiverem a mais de 60 minutos das situações, já não podem concorrer a doentes médico-cirúrgicos. Segundo uma inferência lógica por médico cirúrgica deve entender-se que a cura, ou a tentativa de… depende de um golpe. Portanto, as situações só médicas e até 60 minutos do domicílio, vão para os “básicos”, onde dois enfermeiros e dois médicos dão soluções várias e passaportes para entrada no hospital dos 60 minutos ou no de polivalências. Se o doente não quiser esperar pela solução, também estão autorizadas pelos peritos à Correia de Campos, a passarem passaportes para a eternidade. Estes peritos já estão a fazer cronómetros para medir a capacidade de espera de cada doente ou acidentado, para fornecer aos enfermeiros e médicos que vão avaliar as situações em função dos critérios esotéricos destes peritos “campinos”. Assim, em caso de dúvida, o cronómetro evita o recurso a acusações por negligência técnica. Mas não se pense que estas bitolas são de entrada imediata: “a proposta segue para discussão pública”, segundo o Sol. Por discussão pública entende-se um processo de informação das decisões tomadas, aconteceu com as maternidades e com o diálogo sindical com o ministro. Quando resolvemos perguntar se podíamos sugerir coisa diferente do que nos era informado sem possibilidades de alternativa, fecharam-nos a porta e mandam-nos ler o diário da República. Contem com uma situação destas na “discussão pública” à Correia de Campos, que quer dizer as pessoas discutirem, em público, as medidas que ele já decretou, através dos peritos que “pariu”. Sempre é mais democrático discutir em público o que ele prescreve do que ficar a falar sozinho, próximo de uma unidade, onde haja psiquiatras, que nos podem interpretar mal. Isto é que é dar saúde à saúde. Isto é que é saber de sabedoria do tipo ciência certa. |
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