| Ainda a assiduidade dos profissionais da saúde |
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| 17-Jan-2007 | |
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As novidades que nos chegam do Hospital de Pedro Hispano (João XXI – Papa), acerca do desfecho do controlo digital, que é como quem diz, meter o dedo no olho, que o perscruta, nas suas características únicas. Fomos os primeiros a discordar do método e continuamos a discordar, porque não era necessário para os Enfermeiros. E não é. Estes têm um “self-control”, imposto pela sua permanência ininterrupta. Com tamanha eficácia, parece que não era a estes que o método fazia falta. Ou nos enganamos muito, ou este método é para um sector alvo: os médicos. Em Portugal, ouvimo-lo dos mais ilustres representantes da Classe Médica, o exercício da medicina, público ou não público, não se compatibiliza com qualquer tipo de controlo. Imagine-se um cirurgião a operar um doente e a ter de o deixar de barriga aberta e ao léu, para vir meter o dedo no olho do administrador inventor da ideia e promotor do método, voltando para a sala de operações cirúrgicas para acabar o trabalho. Se tivessem o conhecimento mínimo de controlo de assiduidade não usavam argumento tão ingénuo, pois nem ao administrador mais administrativo passaria pela cabeça de tal imposição. A falta de treino e de responsabilidade, no controlo da assiduidade, no exercício público da medicina é a causadora desta argumentação ingénua. O Ministro veio a correr serenar os ânimos e anular as 19 demissões de outros tantos directores de serviço. Para começo de ano o espectáculo não esteve mal. Houve uma troca de palavras azedas entre a assistência e o Ministro e, quando todos pensavam que aquilo era a sério, o Ministro vira se para a assistência e afirma categórico, com aquele género de “categoricidade” a que já nos habituou e perguntou: “Vou ser duro para a comunicação social; que querem que transmita”? Duas verdades, ou três, no meio desta farsa: a 1ª é os médicos, terem-se comparado com os de muitos outros países, onde não controlam a presença/ausência, porque não são funcionários públicos. É fácil induzir que em Portugal também não querem sê-lo e o Ministro de tão revolucionário que promete ser, ainda não percebeu, também, isso. Ainda não deram conta que os hospitais das misericórdias foram nacionalizados em 1975 e já não são pagos, em espécie (um ou outro doente que podia pagar na privada os méritos do médico benemerente da Santa Casa), mas são pagos como os outros funcionários, pelo erário público. Simplesmente não se aperceberam (nem só eles) desta mudança e não há vencimento que se lhes ajuste. A 2ª verdade é que os médicos de Matosinhos, já estão autorizados a não meterem o dedo no olho do administrador vigilante; um sistema como o do Hospital de Santo António, onde o espírito da benemerência dos médicos é mais vivo. Os outros funcionários, paulatinamente aceitam este regime de excepcionalidade, como a sociedade da Índia aceita o das castas: os médicos seriam os “Brâmanes” , os outros serão os “párias”. Se já sabíamos que iria ser assim por que veio o Sr. Ministro mexer na mal odorosa? Feitios… |
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