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“Quem te manda a ti, sapateiro…” criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
20-Jun-2007

Enquanto há vida há esperança, aliás o que restou na “caixa de Pandora”.

Os Médicos em Portugal e os meios de visualização dos mesmos estão cada vez mais redutores e confusos, circunscrevendo a problemática da saúde às capacidades médicas.

Com efeito estas doenças onde a medicina falha, já não dizem nada ao médico; o seu papel terminou, para com estes doentes.


Entram em acção os cuidados paliativos que como a própria palavra diz, servem para paliar, ou seja; disfarçar, atenuar, aliviar, demorar, entreter, prolongar, dizem os dicionários.

A possibilidade de a medicina fazer alguma coisa com possibilidade de reversão da situação, falhou. Ora se a medicina falhou, não é com os médicos este fenómeno, que os ultrapassou, deve ser tratado.

Há quem diga, e não somos nós, que quando o médico não entende a doença, mata o doente (naturalmente à procura de cura, o que leva o povo a dizer; “não morre do mal, morreu da cura). Talvez por isso, tantos médicos vaticinem para os outros aquilo que não querem para si, quando vítimas de doença incurável, pois a estatística dia que recorrem aos cuidados paliativos mantendo a esperança na vida.

Por isso, se os cuidados paliativos são uma prática essencialmente desenvolvida por não médicos, nos quais se incluem, à cabeça de todos, os Enfermeiros, devem ser-lhes criadas condições para desenvolverem as suas capacidades na área dos paliativos e não serem desvirtuadas pelos médicos, a quem não assiste legitimidade para encontrarem saídas onde a sua capacidade técnica falhou.

O atrevimento dos médicos, por um lado, que os leva a meterem-se em tudo, mesmo naquilo que não percebem nem podem, por isso, fazer evoluir; o “respeito” que os Enfermeiros continuam a cultivar, pelas opiniões dos médicos, mesmo que falidas, por outro, conduz a situações de desespero como a da eutanásia, defendida e praticada pela escola ética dos “estóicos”, quando não atingiam a “apatia”, que é, nada mais que a ausência de “pathós”, que desemboca nas patologias, estas, sim do foro médico, enquanto não deixam de ser, para entrarem no reino dos paliativos, que não são já, do foro médico, obviamente.

No estoicismo foram beber os vultos históricos da patrística grega, padres que teorizaram sobre os primeiros tempos da dilatação do cristianismo. Mas suprimiram-lhe a “eutanásia”, por incompatibilidade com a “fé, esperança e caridade cristãs”.

Outra reminiscência que poderia levar-nos à “eutanásia”, seria o neoplatonismo que os referidos padres usaram, para divulgarem a fé cristã. Como Platão considerava que os corpos eram os cárceres das almas, que ao virem do mundo etéreo das Ideias (Céu), para um corpo, que as aprisiona, perdiam a qualidade, que, somente, recuperam, quando deixam, finalmente o corpo, que as aprisionou.

Paradoxalmente, é o materialismo que os tempos modernos vão promovendo, como uma nova fé no nada, que está por detrás destes perturbados defensores da eutanásia, justamente numa altura em que as vítimas têm de acreditar não no nada, mas em alguma coisa que pode ser o Deus do Argumento Ontlógico de Santo Anselmo, esse “Algo Maior do Que o Qual Nada Pode Ser Pensado nem Criado”.

Não nos surpreendeu esta forma de dar nas vistas, mesmo pelo lado negativo da questão


 
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