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Enfermeiros são mais agredidos e Insultados criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
09-Dec-2008

Dizia o Correio da Manhã de dia 5 de Dezembro.

Este é um dilema da nossa profissão que serve para avaliar muito do que implica ser enfermeiro.

Para nós, tem um significado muito especial, quando o doente, se sente em perigo, e se a voz lho permite, chamar pelo Enfermeiro, no sentido de: ajude-me; socorra-me.

Paradoxalmente, quando o desespero invade o doente, é sobre o Enfermeiro que lança o seu estado de ânimo, na desdita, não só pela proximidade e permanência no discorrer do tempo, como por ser aquela de quem não espera o efeito bumerangue.

Como que por intuição, pressente que o Enfermeiro não debitará na conta os "insultos" que o desespero inspira e a voz profere. Sabe por experiência que é, dentre os personagens que se movem, à sua volta, aquela que pode ouvir um insulto, sem que isso altere o seu comportamento, relativamente ao Doente.

No tempo em que as galinhas tinham dentes e os professores dos alunos de Enfermage, ainda iam pelas enfermarias, que oscilavam entre as 50 e 100 camas, por enfermeiro e por sala, lembravam aos seus alunos que o primeiro braço, que o doente tiver livre, é para dar uma pancada no Enfermeiro.

Daqui podemos inferir o abandono a que a sociedade vota os enfermeiros, no seu dia-a-dia, retribuindo os seus serviços com injustificada ingratidão, regra geral.

Quando aparece um recuperado a agradecer os serviços prestados, ou quem não se lembre deles, um enfermeiro experiente sabe enquadrar devidamente este comportamento, depois da doença e, às vezes, durante a crise.

O Enfermeiro, qual fada silenciosa, vai velando e resolvendo problemas, cujo valor o doente não pode imaginar, porque o enfermeiro lhe aparece, somente, com a sua capacidade, a dar saúde e autonomia, que é coisa que só se sente, quando o ser humano perde uma e outra.

E não é a melhor altura para reconhecer o valor do enfermeiro, de tão ocupado que o Doente está em recuperar o que a doença lhe retirou, temporária ou definitivamente.

Lembrar o Enfermeiro é lembrar a doença, a desgraça, a tragédia, mesmo que ele nada tenha a ver com isso, não obstante o seu estatuto de anjo salvador.

Porque se trata de uma ajuda, o Povo não valoriza isso, nem sequer se preocupa em saber o que teria acontecido sem essa ajuda.

Cuidados de Enfermagem são a nossa oferta.

Mas não se sabe o que quer dizer cuidar.

O Cuidar, para nós, é mais do que tratar: é tratar com cuidado, isto é; reflectindo no que se está a cuidar para encontrar, em cada momento, as melhores soluções; cogitando no melhor caminho a seguir.

Desde os cuidados normais, os que não requerem uma reflexão profunda aos, progressivamente intensivos, nascem e desenvolvem-se, como obra da Enfermagem, na redução da mortalidade e dos vários graus de desconforto, que a doença desencadeia.

Por enquanto, sobretudo por culpa dos próprios enfermeiros, todo este trabalho se apaga ou esmorece, perante a passagem de uma receuta, para a compra de um medicamento ou de um atestado para faltar ao serviço numa Segunda-feira da preguiça.

Em contrário, todo o esforço desenvolvido pela Enfermagem aparece como mera delegação de competências, que outros, menos escrupulosamente, exploram ou sugerem que se explore. Se as coisas correm bem, ninguém se lembra dos enfermeiros; se correm mal, a culpa é dos enfermeiros, porque não souberam dizer à morte para esperar.

É nesta senda e contexto que ocorrem os insultos; é aqui que temos de gastar algumas energias e saberes, usando a lógica das próprias ocorrências, sem falsas modéstias, porque, como diz o ditado: a modéstia exagerada, também é vaidade.

Cordiais Saudações Sindicais,

O Presidente da Direcção do SE — José Azevedo

 
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