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O peditório do Dr. Pisco criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
03-Aug-2009

Não se sabe quanto está a custar ao erário público o pleno emprego da Classe Médica!

Sabemos que há 13 milhões de cartões de utente (de uso pessoal e intrasmissível) emitidos.

Diz o Dr. Pisco que há 1 milhão e 500 mil hipotéticos cidadãos, sem médico de família, essa quintessência que dá doença, a quem não tem e transforma problemas banais em problemas sérios de doença, que só médico de família pode curar.

Ora se diz o INE que há +/- 10 milhões e meio de pessoas, em Portugal; se milhão e meio não tem MF (médico de família) e entre 13 milhões e 10 milhões e meio, há 2 milhões e meio sem-abrigo, são 4 milhões que não têm MF e não os que pede o Dr. Pisco.

Podiamos dissertar sobre quantos dos reais cartonados é que vão ao MF e o que vão lá fazer. Porém, em primeiro lugar, gostávamos de ver esclarecidos os números supra-citados. Depois, teremos algumas comparações incómodas para o Dr. Pisco e para quem o mantém à frente de tão honroso cargo, que no caso de o MF ser uma coisa tão imprescindível à família, por que não se nota assim tanto como diz, essa falta.

 Será que existe, na realidade ou, só no pensamento do Dr. Pisco...

Mal por mal, preferimos a Ministra da Saúde a falar da gripe A, que nunca mais vem, em termos significativos o que, tal como a recuperação da Bolsa, não sai do sítio. Sim, 300 e poucos gripados, em 13 milhões de cartões de utente, convenhamos que não é coisa que mereça tanta notícia.

Em contrapartida os efeitos perigosos do Tamiflu não vêm a público.

Honra seja feita ao INFARMED que, em circular informativa nº 039/CA de 2007-03-23, repete nos nossos dias de hoje, o que então transmitiu...

"CHMP recomendou a actualização do medicamento Tamiflu para informar os profissionais de saúde e os doentes sobre os efeitos indesejáveis neuro-psiquiátricos. O texto recomendado dirigido para os doentes foi o seguinte: "Convulsões, depressão da consciência, comportamento anormal, alucinações e delírio foram notificados durante a administração do Tamiflu, conduzindo em casos raros a lesão traumática acidental. Os doentes, especialmente crianças e adolescentes, devem ser cuidadosamente monitorizados e os profissionais de saúde imediatamente contactados, caso se verifiquem sinais de comportamento fora do habitual".

Nota-se a expressão "profissionais de saúde" que, ou nos enganamos muito ou não quer dizer somente médicos, como o Dr. Pisco pretende para os Cuidados Primários, transformando-os numa "coutada de médicos". Ao referir profissionais de saúde está a referir um tanto envergonhadamente, outros profissionais de saúde, por exemplo: os enfermeiros.

Num país de tesos e, em crise uniformemente acelerada, é escandaloso o pediório do Dr. Pisco, embra não lhe fique nada mal defender o pseudoemprego dos seus pares.

Dois profissionais estão habilitados a fazerem a triagem das situações gravosas, na doença que eventualmente surja, nas famílias: os Enfermeiros e os Médicos.

A eficácia é a mesma ou um nadinha pendente a favor dos Enfermeiros, relativamente aos custos com a neutralização dos despesismos que a ninguém beneficia, entre outros aspectos.

Compreendemos que o Dr. Pisco, que não tem dificuldades, como nós, num país de liberdade de expressão, em aceder aos meios de comunicação social, comece a tentar encontrar vagas nos cuidados primários para os médicos.

A culpa não é só dele; é de todos nós: mais uns do que de outros!

Cordiais Saudações Sindicais,
O Presidente da Direcção - José Azevedo

 
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