| Uma ideia persistente. |
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| 10-Aug-2009 | |
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Há uma ideia que me persegue e que ressalta ao meu pensamento, de cada vez que vejo os médicos falarem de que há falta de médicos de família (MF) nos Centros de Saúde.Desta vez, diz o Secretário de Estado da Saúde que vai adoptar soluções provisórias para resolver essa carência. É uma pena ver pôr sistematicamente a equação ao contrário. Diz a lógica que, quando um problema está mal equacionado a solução é impossível, logicamente. “CURA SEM FRONTEIRAS” é um capítulo do livro “os inventores de doenças” de Jörg Blech que a páginas 15 reproduz: «A medicina avançou tanto que já ninguém está são “Aldous Huxley”». E diz assim: “No início do sec XX, um médico chamado Knock foi encarregado de tirar da cabeça das pessoas a ideia de saúde. Este francês criou um mundo onde só havia doentes”: «Toda a pessoa sã é um doente que ignora que o é.»O Dr. Knock foi colocado na aldeia Saint-Maurice, onde os habitantes saudáveis não iam ao médico. O seu problema era atrair ao consultório aquela gente cheia de vida e o que podia receitar a pessoas saudáveis? Convenceu o professor a aderir à sua estratégia; contratou um pregoeiro que ia dizer aos aldeões que o Dr. Knock oferecia uma consulta grátis, para «limitar a inquietante propagação de doenças de todo o tipo que desde há alguns anos alastram pela nossa região, outrora sadia». A sala de espera ficou a abarrotar de gente. Nas suas visitas, Knock diagnosticou sintomas estranhos e inculcou nos ingénuos aldeões a necessidade de um cuidado permanente. A partir de então, muitos deles ficaram de cama e a única coisa que tomavam era, quando muito, água. A aldeia parecia um hospital. Qualquer semelhança entre o que Jörg Blech escreve e a nossa realidade, em matéria de médicos de família não é uma coincidência pura; é muito mais do que isso: é um propósito determinado de tirar da cabeça das pessoas a ideia de saúde, para garantirem o pleno emprego aos médicos, para os próximos 30 anos, como diz o Bastonário da sua Ordem. Podíamos falar, a título de exemplo, da insistência com que se fala da gripe A, para que as pessoas se assustem e percam a ideia de saúde para a substituírem pela de doença.Mas poderá exigir-se a um médico que fale de saúde, quando toda a sua formação é sobre a doença, doença, doença, até à exaustão? Certamente que não. Ora é aqui que a nossa ideia se fixa: é uma má política, porque profundamente errada e dispendiosa, além de inútil, estar a transformar os centros de saúde em ninhos de médicos de família, fazendo circular toda a actividade do Centro de Saúde, em torno destes personagens, com mais inconvenientes que vantagens para aquela área. Esperamos que um governo lúcido e não oportunista deixe de explorar a ingenuidade da população e deixe de explorá-la, como fazia Knock e fazem todos os que pensam e agem como ele. O que os Centros de Saúde precisam não é de MF, mas duma organização que se destine a cuidar com realismo os problemas da saúde e da doença, cada um em seu sítio. Não é baralhá-los para garantir empregos a quem lá não faz falta, como está demonstrado exaustivamente, pelo mundo fora. Por que se inventa tanta coisa (doença) para garantir emprego aos médicos? Será que não podem ter o mesmo destino de outros licenciados, que gastaram tanto ou mais dinheiro que eles, na sua formatura, destinada ao desemprego?Este é um problema sério que um governo a sério vai ter de resolver, com realismo e não como diz o Secretário de Estado da Saúde, que sabe, pelo menos tão bem como nós, que essa mascarada dos números, é apenas mais um sintoma da impunidade de certos erros e de quem os comete. Quase faz pena o vão esforço do Tribunal de Contas a pôr em evidência a farsa dos ficheiros e dos números que nunca mais estão certos, porque isso interessa ao “status quo”, da saúde e aos seus ilustres beneficiários.Temos um técnico, o Enfermeiro que não precisa de tirar a ideia de saúde da cabeça dos cidadãos, nem pôr-lhe a de doença, com fins estranhos.Tudo isto resulta mais barato e eficaz, para a saúde do povo.Sendo assim e é, por que não se corrigem os erros e se insiste em repeti-los? Há muito dinheiro a gastar que tem bastante a ver com tudo isto: é o negócio! Cordiais Saudações Sindicais, |
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