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Propostas para a Frente Sindical - 2010 criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
18-Nov-2009

Em breves palavras damos a conhecer o que ontem, 18 de Novembro a Frente Sindical que integramos, definiu para 2010.

1- As permanentes reformas a que tem sido sujeita  a Administração Pública Portuguesa, sempre que uma nova força política chega ao Governo, não têm aos olhos dos cidadãos contribuído para uma Administração Pública mais económica, mais eficiente e mais eficaz ainda que seja estes os fundamentos presentes em todos os processos de reforma.

Em nome das sucessivas reformas assiste-se à destruição de uns serviços públicos e à criação de outros sem que tais alterações contribuam, de modo efectivo, para a melhoria dos serviços ao prestar ao cidadão e ao país.

Reformas que desvalorizam o papel do Estado e pretendem, erradamente, a sujeição da Administração Pública às regras de mercado, potenciando o divórcio entre o cidadão e a Administração.

Temos hoje uma Administração manifestamente doente e crescentemente inoperante, com trabalhadores desmotivados, o que se manifesta através de sinais como:

  • Acentuada perda de qualidade e do know-how técnico em muitas áreas sensíveis (Estudos, Prospectiva e Planeamento, especialidades e Engenharia de Arquitectura e de Economia  entre outras, assessorias Jurídica, Informática, etc…;
  • Crescente recurso a outsourcing, e o disparar das despesas com a aquisição de serviços de consultadoria, nos mais variados sectores, podendo afirmar-se que nenhum Ministério escapa hoje a este flagelo.
  • Agravamento generalizado das condições de trabalho para a esmagadora maioria dos trabalhadores públicos, com perdas sucessivas, seja de poder de compra, seja de estudo e dignidade profissional;
  • Destruição de toda e qualquer perspectiva de carreiras de serviço público, dependente da discricionariedade dos dirigentes (quando não do poder político);
  • Um sistema de avaliação de desempenho que só é aplicado a alguns trabalhadores e que, decorridos 6 anos de vigência, se transformou num processo penalizador daqueles;
  • Crescente afastamento da realidade  por parte dos dirigentes, mais preocupados em “gerir para cima” meras expectativas pessoais (ou de grupo).

 Para esta situação muito contribui toda uma filosofia política, que tem feito o seu caminho transversal na sociedade (e nos mais variados centros de poder), que encara o Serviço Público apenas como um custo para o Orçamento do Estado.

O país precisa de Serviços Públicos estáveis e capazes de responder ao que os cidadãos e as empresas deles esperam.

Serviços Públicos comandados unicamente pelo interesse público, independentes e com profissionais competentes, mas que permitam a realização plena de todos os que neles trabalham, bem como a satisfação dos destinatários.

2- Perda do Poder de Compra

A primeira questão que se nos põe é a do desenvolvimento económico e social do nosso País.

A situação é inquietante atendendo a que o consumo das famílias caiu para o nível mais baixo dos últimos 13 anos.

3- Subida da taxa de inflação e dos juros em 2010

Perspectiva-se actualmente uma inversão da inversão da tendência de descida da inflação para 2010, prevendo-se que se venha a situar em + 1,3%, de acordo com a CE.

Os preços da energia deverão aumentar 5,9% em 2010, invertendo a quebra verificada nos 10 primeiros meses de 2009 (-9,9%) e os preços dos bens excluindo os produtos energéticos tenderão a acelerar para + 0,7% em 2010 (+0,0 em média até Outubro de 2009).

O preço do petróleo tem vindo a subir nos últimos meses, devendo originar uma subida dos preços dos combustíveis, com efeitos no aumento dos custos das empresas afectando a competitividade dos seus produtos e na erosão do poder de compra.

Mas, se até Outubro de 2009 os preços tiveram em geral uma variação negativa (-0,9%, em média) devido sobretudo à queda dos preço9s da energia, transportes e produtos alimentares, houve produtos que mantiveram um forte crescimento dos seus preços; os associados às classes de “educação” e “restaurantes e hotéis”, que apresentaram uma subida de 3,5% e de 2,6%, respectivamente.

Daí a necessidade de forte contenção do aumento dos preços de certos bens essenciais fixados administrativamente para 2010 como a electricidade, a água e os transportes públicos.

É preocupante a anunciada subida das tarifas de electricidade para 2,9 em 2010 se tivermos em conta a inflação prevista de 1,3% e as subidas nos últimos anos, sempre  superiores aos aumentos dos vencimentos dos trabalhadores da Administração Pública: 6,5% em 2007; 2,9% em 2008 e 4,3% em 2009!

Tanto o FMI como a CE apontam para uma subida da taxa Euribor a 3 meses para 2010, estando prevista situar-se, em média, em 1,6% e em 1,5% respectivamente (1,3% no conjunto dos 10 primeiros meses de 2009).

4- Aumento Salarial de 2,5%

É assim que, tendo em vista atenuar a possibilidade de nos defrontarmos com a recessão económica de grande amplitude pelo segundo ano consecutivo e diminuir o impacto económico do aumento do custo de vida junto das famílias, propomos um aumento salarial para os trabalhadores da Administração Pública de 2,5% para 2010.

Propomos ainda:

  • Que o subsidio de refeição (€4,27/dia) seja aumentado para €6,00, tendo em conta a actualização dos preços das refeições nos cafés e restaurantes, bem como o facto dew que em 10 anos, entre 1999 e 2009, bem como o facto de que em 10 anos, entre 1999 e 2009, aumentaram apenas… €1,15!
  • Uma actualização de 2,5% para as ajudas de custo, o subsídio de transporte e outros suplementos remuneratórios.

 5- Aumento para as pensões de 2,5%

Quanto às pensões há que destacar  que é preocupante o anúncio feito pelo Governo na Assembleia da República , por ocasião da apresentação do seu programa.

E isto porque, tratando-se de matéria no que deve ser objecto de negociação em sede de concertação social, e de diálogo com as organizações representativas dos trabalhadores e aposentados ou pensionistas, uma tal manifestação de ausência de diálogo e de concertação em nada condiz com a afirmação inicial do Sr. Primeiro‑ministro de que este Governo apostaria naquele diálogo de concertação.

O aumento já anunciado é de:

  • Até €630,00 - + 1,25%
  • Acima de €630,00 e até € 1500,00 - +1%.

 Esta 1ª proposta do Governo para os aposentados aponta para uma clara perda de poder de compra.

O que é inaceitável e põe mesmo em causa a ultrapassagem da recessão.

Propomos para os reformados e aposentados uma actualização das pensões de 2,5%.

Considerando que a introdução do factor de sustentabilidade em 2008 associado ao aumento da esperança média de vida, tem contribuído negativamente para o valor da pensão dos novos pensionistas – a pensão dos novos pensionistas foi diminuída  em 0,56 em 2008 e em 1,32%, em 2009! – Propõe-se a sua suspensão em 2010, o que vai ao encontro das teses defendidas pela OCDE, no último Relatório sobre as Pensões.

Propõe-se igualmente a suspensão da actualização do desconto para a ADSE (0,1%) em 2010 por parte dos aposentados com uma pensão acima de 1,5*RMG/sobre 14 meses, mantendo-o em 1,2%, igual ao valor em 2009.

6- Fiscalidade e incentivo à poupança

Constata-se que a actualização dos escalões do IRS tem vindo a ser feita, sistematicamente, abaixo da taxa de inflação.

Nos últimos 7 anos o diferencial de actualização é de 5pp, com excepção do último ano por força dos efeitos da crise. Ainda assim o diferencial situa-se nos 2,5pp-

Propõe-se que a actualização dos escalões para 2010 seja de 2,5%-

E ainda:

  •  O aumento da dedução específica aos rendimentos do trabalho dependente de 72% para 80% do salário mínimo nacional;
  •  A manutenção da dedução específica anual para os aposentados de €6000,00 (valor vigente em 2008)

Por outro lado, propõe-se que passem a poder ser dedutíveis à colecta os encargos suportados com:

Prémios de  seguros de saúde, a considerar nas despesas de saúde sem limite máximo;

  • Acções de formação profissional;
  • Quotizações para Ordens e Associações Profissionais;
  • Que seja aumentado de 350 para 420€ o limite máximo do benefício fiscal atribuído aos Certificados de Reforma, instrumento de capitalização gerido pela Segurança Social e que se aplica apenas aos trabalhadores activos.

7- Os recursos humanos na Administração Pública

     7.1- Transparência

Continua a não existir disponível uma informação regular e em tempo real sobre o número de novas entradas de trabalhadores. (No caso dos enfermeiros entrou na moda bolsa de recrutas).

Ora, é necessário que a sociedade possa dispor de uma Administração transparente conhecendo o exacto número de pessoas que entra para a AP e com que estatuto e critérios de selecção, de modo a que se possa fazer uma correcta avaliação das políticas implementadas.

Sabemos que em Junho de 2009 existiam 690 mil trabalhadores, representando:

  • 13,6% do emprego (eram 14,6% em 2005)
  • 12,4% da população activa (13,5% em 2005).
E o grande contributo para a redução líquida do emprego público foi o elevado número de saídas por aposentação.

Do número total de saídas da AP de Junho 2009 (108 mil), quase 60% foi respeitante aos novos aposentados pela CGA (64 mil).

O número restante está associado à transformação de muitos organismos públicos em entidades públicas empresariais, sobretudo na área da saúde.

Os dados disponíveis para os 9 primeiros meses de 2009 indicam que tem continuado a aumentar o número de novos aposentados da função pública (+ 18967), tendo representado 80% do total do ano 2008 (+ 23415), o qual deverá estar associado ao número crescente de funcionários que recorreram à reforma antecipada, podendo atingir cerca de 11 mil no ano de 2009, o valor mais elevado dos últimos 7 anos se este número se vier a confirmar.

De acordo com o BOEP o número de prestações de serviços na Administração Central (valor excluído do emprego público a partir de 2006 em Junho de 2009 é de 5167 trabalhadores.

É fundamental promover a rápida integração dos cerca de 3 mil trabalhadores colocados em mobilidade especial.

     7.2- A Mobilidade é importante

Numa organização como a Administração Pública a mobilidade deve ser uma preocupação permanente. Porque é necessária à organização e é motivadora para os trabalhadores.

Só que a negociação da remuneração na sequencia de um qualquer concurso veio fazer cair um manto de opacidade nos processos normais de mobilidade e se lhe juntarmos a indefinição que cai sobre os trabalhadores colocados em mobilidade interna, satisfazendo necessidades de serviços, quando estes não promovem os necessários concursos, esta é claramente uma questão que carece  de urgente atenção.

Dada a importância da mobilidade para a AP propomos:

  • Abertura obrigatória de concursos que permitam a candidatura dos trabalhadores que estejam em mobilidade há 6 meses;
  • Que nos concursos seja sempre divulgado o ou os níveis remuneratórios e, no caso do concursos internos, com  possibilidade de candidatura de quem tenha níveis inferiores ou superiores;
  •  Que em tais situações seja banido o período de estágio.

     7.3- Trabalhadores em situação precária

Apesar do previsto no artigo 14º da Lei nº 64-A/2008, de 31 de Dezembro, as situações precárias, muitas delas há mais de 10 anos, para satisfação de necessidades permanentes, foram mantidas.

O que contraria inclusivamente o compromisso assumido pelo Governo quanto à sua eliminação.Pretende-se e propõe-se a sua regularização logo que identificadas e que para isso se dê um prazo curto a cada serviço.

E que a cada trabalhador nessas condições, ou parecidas, seja contado todo o tempo em que foi mantido pela Administração no limbo da ilegalidade promovida e consentida por esta.

8- Revisão das carreiras e corpos especiais

Há toda uma regulamentação de diversas matérias que a Lei nº 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, previa dever ser feita no prazo de 180 dias, o que foi ignorado em muitos casos, mormente no caso dos Enfermeiros.

Há que acordar uma calendarização não superior a 120 dias para:

  • completar a revisão de carreiras de corpos especiais;
  • rever níveis remuneratórios de cargos e funções em comissão de serviço;
  • regulamentar os suplementos remuneratórios

9-Vínculos e Carreiras

Há que rever a alteração do vínculo introduzido pela Lei 12-A/2008 e pela Lei 59/2008.Mas há também, muito em especial, que apostar na motivação dos trabalhadores, questão que não encontra resposta nos actuais níveis das carreiras e nas ragras legalmente ptrevistas para as respectivas mudanças. Propõe-se a obrigatoriedade de mudança de nível para os trabalhadores com a classificação adequada durante 5 anos (3 anos nos enfermeiros, ainda).

10-A Dependência crescente da Administração em relação aos "outsourcing's"

Assistindo-se a um continuado aumento do “outsourcing” na AP para satisfazer as normais carências de pessoal que não é admitido;

Sendo corrente já a “circulação” de quadros das empresas de “outsourcing” para funções de direcção na Administração, com o aprofundar da clientelização e corrupção;

Constatando-se a descapitalização crescente de diversos serviços, como os de informática, com total dependência das empresas fornecedoras de equipamentos e serviços.

Ou a gravidade da situação com todas as suas implicações suscita medidas profundas e imediatas ou funções relevantes do Estado passarão a ser controladas por entidades privadas que não deixarão de aí introduzir as lógicas que as sustentam, em parceria com as lógicas partidárias, sem qualquer possibilidade de controlo ou retorno.

Propõe-se, por isso, que seja solicitado ao Tribunal de Contas a análise da situação com o inventário dos “outsourcing” por Ministério e que os alimenta directa ou indirectamente, uma informação detalhada para cada caso:

  • dos custos;
  • da utilidade;
  • do controlo exercido

11- Propõe-se ainda

ADSE - O cumprimento do compromisso do Governo de alargar a ADSE a todos os trabalhadores, bem como o alargamento da mesma a todas as valências.Uma actualização de 2,5% para as tabelas de comparticipação do regime livre

A institucionalização, em 2010, de um seguro de acidentes de trabalho para todos os trabalhadores.

Apoio Judiciário - Inclusão de critérios claros e abrangentes de atribuição do apoio judiciário condigno a trabalhadores objecto de acções de responsabilidade extra-contratual em razão do exercício das suas funções ou por elas vítimas de violência e como garantia da universalidade do acesso dos trabalhadores à justiça laboral.

NB- este é um conjunto de reivindicações de carácter geral onde não estão, obviamente incluídas as nossas reivindicações específicas.

Para essas também ainda não temos qualquer resposta do Ministério da Saúde, entretecido com a problemática infinita da Gripe A, essa porcaria de gripe como as suas origens garantem.

Cordiais Saudações Sindicais,
A Direcção do SE

 
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