| A Faculdade de Medicina de Aveiro |
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| 18-Dec-2009 | |
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Começámos a semana de 11 a 19 de Dezembro de 2009 com uma novidade largamente ampliada pelo Primeiro-Ministro de Estado Português, José Sócrates.
Destina-se a licenciados e vai ter a duração de 7 anos (3+4), sendo 3 os da licenciatura de origem e 4 da desta medicina. Se for um licenciado de Enfermagem a concorrer a estes cursos a duração da sua licenciatura é de 4 e não de 3 anos, logo terão 8 anos e não 7, neste novo curso de medicina de segunda categoria. O curso normal e de primeira grandeza é de 6 anos e tem abertas todas as especialidade da medicina e da cirurgia. Esta nova pérola socrática, à portuguesa, destina-se a cuidados primários e a cuidados continuados. Quem costuma ler estas notícias deve ter notado as preocupações da Ordem dos Médicos com os excedentes de médicos que se estão a produzir, adicionando os que, sendo portugueses estão a formar em universidades inglesas, espanholas, checas, sobretudo. No mesmo sentido se pronunciaram as representações sindicais dos médicos: FNAM e SIM. Também estão preocupados com a antecipação do desemprego na Classe Médica que o Bastonário Pedro Nunes garantira para os próximos 30 anos. É mais que evidente o excesso de médicos, nomeadamente na área dos cuidados primários, mantendo uma pseudotoutilidade ocupando-se a escriturar vários documentos que podiam ser preenchidos por enfermeiros, ou até escriturários. Para a farsa ser completa, tudo o que os enfermeiros fazem é transformado em consultas médicas, porque nos cuidados primários ainda não são reconhecidos os cuidados de enfermagem para fins estatísticos, como é do conhecimento comum. Como são os médicos que decidem neste país em matéria de saúde, como diz o ditado: "quem parte e reparte e não fica com a maior parte, ou é tolo ou não percebe da arte". Para que o cenário seja comestível pelos olhos do povo, não se admitem enfermeiros para os cuidados primários, nas quantidades necessárias, para que a quantidade pudesse transformar a qualidade, conferindo aos cuidados primários maior autenticidade do que o simples e pouco proveitoso emprego médico, em função do "custo-benefício". Manter uma burocracia médica aleatória, para garantir emprego médico e, até com a pseudocarência de médicos, na área, quando podia ser simplificada, reduzida, anulada, ou feita, no essencial, por outras pessoas menos dispendiosas e menos bem pagas, com vantagens incomensuráveis para o sistema de saúde e para os padecentes, é uma fraude servida com requintes de manipulação, que o povo aplaude, porque não tem espaço nem tempo para reflectir. É enrolado numa consulta médica que podia ser feita, com vantagens, pelos enfermeiros, porque tudo o que se faz nesses serviços está ao alcance das competências dos enfermeiros. É embalado no conceito do "médico de família", qual construto artificial, absorver tudo o que os enfermeiros fazem, pois o que não possa ser absorvível pela consulta do médico de família é pura e simplesmente ignorado e deitado fora por não ser reconhecido como importante para a estatística. Até para uma simples medição de tensão arterial, oportunidade de o "médico de família" tocar no padecente que demanda o médico, orientado pela constante publicidade que influi na maior parte das consultas, é feita pela enfermeira, não sendo raros os conflitos, quando esta se escusa a fazer isso, antes durante ou depois da famigerada consulta, servida ao povo como bem essencial, indispensável. A retenção de admissão de enfermeiros é o que vai justificar a criação destes médicos de segunda, recrutados entre os paramédicos e enfermeiros, pois é destes que se trata quando se indica o destinatário do curso ora criado. São 20 no Algarve. Como quem devia anunciar esta farsa, não o fez, como se isso não tivesse nada a ver com os enfermeiros, lá vêm mais 40 para a Universidade de Aveiro, que também tem nos seus cursos o de enfermagem. É uma boa maneira de manter mais 4 anos o mesmo aluno que estava pronto aos 4 anos de curso de enfermagem a fazer o que vai fazer com mais 4 anos de medicina familiar. Falta-nos a posição da Ordem dos Enfermeiros que deve estar dividida, supomos, entre aqueles enfermeiros que não tiveram vagas nos cursos de medicina tradicionais e fizeram uma incursão pela enfermagem, até surgir uma oportunidade de "fugir" para médico, por esta ou pela via normal, e os médicos, pelo que é politicamente errado: enfrentar a Classe Médica, nos seus abusos das competências dos enfermeiros. Há dois técnicos, nos cuidados primários a fazerem o que pode e deve ser feito por um; o enfermeiro, com toda a vantagem. Inventar um tipo de médico especial para os cuidados primários, fazendo lembrar os de "pé descalço" dos chineses, é um insulto para os enfermeiros e, para além de injusto, uma fraude para o SNS, pois passa-se do médico tradicional, para uma de 2ª Classe, ignorando as capacidades dos enfermeiros, os únicos verdadeiramente indispensáveis, nos cuidados primários. Infelizmente a nossa Ordem não vê o alcance destas medidas, como desvalorizadoras dos enfermeiros, os mais indicados para garantirem a continuidade de cuidados, no "habitat" normal do paciente. Chama-se-lhes, oportunamente "cuidado continuados" como se de garantir a continuidade de cuidados a doentes crónicos ou em recuperação, não seja uma capacidade ao alcance dos enfermeiros. Os doentes permanecem mais tempo nos hospitais para terem cuidados de enfermagem de acordo com as suas necessidades e não cuidados médicos. Apesar desta evidência não há uma Ordem que potencie e evidencie. Os políticos ignaros destas realidades por falta de visibilidade, pensam fazer bem promovendo mais médicos para receitarem mais medicamentos que menos doentes tomam, mas pagam. E a Ordem do nosso desencanto fica silenciosa perante a gravidade da situação, por falta de visão do presente e do futuro da profissão. É escandaloso, ou o que se entenda por muito mau, ter os enfermeiros no desemprego e inventar esquemas para ampliar esta situação em vez de usar os enfermeiros nas áreas da sua competência, e nas necessidades que as manobras socráticas, publicitárias e desajustadas, não satisfazem. Nós não queremos ser associados à inaccção e não cansaremos de denunciar estas aberrações e os seus responsáveis, sejam eles quem forem. Cordiais Saudações Sindicais, |
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