| A motivação de médicos e enfermeiros. |
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| 31-Dec-2009 | |
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Para permanecerem nos hospitais públicos, pois já se começa a perceber a necessidade de permanecerem num mesmo local, para nele adquirirem a experiência, que conduz, mais facilmente, aos bons resultados. Essa motivação adquire-se naturalmente através das carreiras profissionais, ajustadas aos legítimos anseios e expectativas de quem pretende seguir o caminho da perfeição. Se as enunciadas intenções de Ana Jorge, Ministra da Saúde, forem boas, só temos de nos acautelar do velho ditado: “ de boas intenções está o inferno cheio”. Há, numa perspectiva optimista da coisa, uma viragem e, de certo modo, o abandono das teorias falaciosas, balofas dos “ gerentes” fabricados em Telheiras, na Escola de origem Coriolano Ferreira, que Correia de Campos transformou, cujas habilidades, próprias de terra de cegos, desembocavam, cheias de “sapiência Telheiral”, num ataque ao que apelidavam de carreirismo dos médicos e enfermeiros, como uma doença inevitável do SNS. (Este carreirismo não deve ser lido como carneirada, aviso). A sua formação deficiente, “powerpointesca” q.b.p., para os fins em vista, (o SNS) levou-os, ou talvez não, a considerarem as carreiras especiais da saúde, como um fim, em si mesmo e não como um meio de produzir alta qualidade. Os números são a sua meta fascinante. As estatísticas são o seu catecismo, sem terem percebido que, em Portugal, têm como principal função, provarem que estão erradas: é esta a única segurança, verdadeiramente correcta e com laivos de ciência, das estatísticas genuinamente portuguesas. Como os principais inimigos das carreiras especiais estão hoje na concorrência privada, à exploração de bancos ou seguradoras, ou ambas, não nos vamos ocupar deles, por enquanto, pois o fenómeno de ir buscar pessoal treinado aos hospitais públicos, cuja formação custa rios de dinheiro ao erário público, não é novo; tem, tão-só, cambiantes diferentes, no campo das acumulações: público-privado. Não sabemos se foi por engano, um lapso de língua qualquer, ou para não inclinar as intenções da ministra para o lado médico, exclusivamente, que esta falou em médicos e enfermeiros, como os motivantes, visto que o resto da notícia só se refere a médicos. Há desgovernos sem honra nem vergonha, que estimulam o nosso cepticismo, quanto às medidas que os “médicos-administradores” tomam. Por exemplo; aquela de os deixar exonerar ou passar a situação de licença sem vencimento de longa duração (fictícia, pois a porta está sempre aberta e a escassez é sempiterna), contratando-os, depois, para o mesmo serviço e local, ao abrigo das reformas EPE, para ganharem, em dois dias o que ganhavam num mês, no dizer de um anestesiologista, nosso conhecido, é uma concorrência desleal com os colegas destes profissionais. À laia de parêntesis, não sabemos como é que a Ministra da Saúde contabiliza este grupo, em termos de fuga dos hospitais, para os motivar. Quando estes ministros falam em reorganizar o funcionamento interno (que devia estar a cargo das instituições, não é?), provocam-nos uma sensação esquisita de desconforto, pela experiência que adquirimos com erros anteriores, cometidos em nome da reorganização e da reestruturação… Mais preocupados ficamos se o grupo de trabalho que Ana Jorge diz que vai criar (provavelmente para dar emprego a mais uns quantos licenciados como os que enxameiam os hospitais e que só estorvam e encarecem o produto final), grupo destinado, segundo a ministra, a servir de tampão na fuga dos profissionais (não sabemos se de dentro, para dentro ou, de dentro para fora). A ideia é replicar em meio hospitalar a reforma em curso nos cuidados primários, envolvendo internamente “mais as equipas multi-profissionais”, (desde que quem mande seja o médico), para que possam ter “um modelo de organização que dê maior resposta em prestação de cuidados, mas também maior satisfação aos profissionais e maior autonomia”. O grupo de trabalho (constitutivo da série de grupos criados ou a criar para empregar militância, segundo os sábios conceitos de Max Weber), em que Correia de Campos é perito, de longa data, já identificada em Macau, sob administração portuguesa, deverá estudar as alternativas, numa reorganização que, promete a ministra da saúde, envolverá, “obviamente” os profissionais das várias áreas hospitalares. Aqui radicam as nossas fundadas dúvidas, por um lado, mas certezas de que este grupo é para legitimar projectos, já elaborados, pelo outro. Basta ler “Reformas da Saúde – o Fio Condutor”, Setembro 2008, (presunção e água benta…) livro editado por Correia de Campos, que fez que saiu, (ó sorte maldita!!!) mas anda sempre em zonas de grandes investimentos, como é o caso do ex-SUCH e actual SOMOS, onde se pode ler: é urgente remunerar….”Não é possível perpetuar por mais tempo a situação de baixos salários dos médicos hospitalares, apenas compensada pela aceitação negligente de pagamentos por horas extra. A verdade tem de ser reposta de forma a recompensar quem mais e melhor trabalhe. A criação de um regime de pagamento proporcional ao desempenho a partir de um montante estatutário de base, como já está a ser praticado nas USF, é urgente nos hospitais.”. Ora nesse texto proposta, de Esperamos que, do grupo, não faça parte mais um missionário, espécie dr. Pisco, com aquele tipo de isenção corporativista, tanto quanto é possível imaginar, num presidente de associação de Clínicos Gerais ou outros. (Correia de Campos não se deve ter apercebido do cunho sindical desta associação. Se lhe tivessem falado nisso teria demitido o missionário presidente, como fez ao enfermeiro director do HSJ! Ai duvidam? Eu também). Se a Ministra da Saúde não perceber rapidamente que o sector da Enfermagem, vilipendiado pelo seu ministério, é o que mais precisa de ser motivado, com uma carreira profissional digna do seu mérito e mister e não ao sabor das conveniências corporativas de outros corpos; com vencimentos que não fiquem à distância abismal como estão relativamente aos dos médicos das USF, onde um médico, por caucionar, e pouco mais, os serviços prestados por enfermeiros (onde está a maior autonomia e para que lhes serve?), aufere mais num mês (€4370) que o enfermeiro num ano (€3600). Não divisamos coisa de bom agoiro, nesta reforma, já anunciada como uma das linhas mestras do famigerado Correria de Campos, infelizmente para o Sistema, tido com experto na matéria! Claro está que os mais realistas dizem que os médicos dos hospitais públicos, para o que produzem neles, estão muitíssimo bem pagos. O problema é mantê-los e incentivá-los para trabalharem num ritmo normal. Só não pode esquecer que os enfermeiros estão numa situação oposta a esta: são poucos para o que se lhes exige e, como não podem fazer greve de zelo como os médicos, estão muitíssimo mal pagos para a sobrecarga em que trabalham. Isto não vêem os que seguem ex-ministros, de perto, no SOMOS, agora com as bênçãos do Espírito Santo! Onde isto chegou! Mas pior do que Correia de Campos são os ministros que lhe dão ouvidos como aconteceu com Luís F. Pereira e a sua obra-prima do “director de serviço”, que está a levar o SNS para as bordas do caos, com o despesismo incontrolável. Cá estaremos para os classificar a todos, para que conste. Cordiais Saudações Sindicais, |
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