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Fixação de médicos onde faltam enfermeiros. criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
04-Jan-2010

Foi largamente divulgada a deliberação do governo, que temos, de atribuir mensalmente, bolsas de 750€, além do ordenado, a quem se comprometer a permanecer no local, onde lhe for concedida a bolsa por um período igual ao da fruição da bolsa.

O conceito não é novo.

Há 1026 vagas em todo o país para o internato médico. Cerca de 30% destas vagas são para suprir carências de necessidades em clínica geral, como é o caso do Alentejo.

Por outro lado, diz-se que 750€ = a 69% do salário dos formandos.

A bolsa não compensa, diz Igor Faria, ao JN de 02/01/10.

Não vamos discutir o rigor de 750€ = 69% do vencimento base dos médicos internos, numa época que muita coisa, quanto a salários deste sector, anda muito por baixo da mesa, como se costuma dizer.

Mas o que é importante é ter de recorrer a incentivos de vária indole para fazer o salário dos médicos, logo desde inicio.

Pergunta-se por que há-de ser o salário dos médicos o factor determinante no Estado, para os manter e captivar?

Em que se distingue o valor destes profissionais, dos outros, para serem objecto de incentivos nas USF, nos Internatos de formação complementar, nos SIGIC...

Não seria mais correcto perguntar-se-lhes se efectivamente querem trabalhar sob a tutela do Estado e, em caso afirmativo, dizer-lhes quais são as regras do jogo, com uma efectiva supervisão isenta do seu trabalho e ou da falta dele?

Imagine-se que o Ministério da Educação fazia o mesmo para os professores, já não falando dos enfermeiros, que passou a ser termo clandestino e de uso proibido no campo da visibilidade. Será que estes trabalhadores terão problemas na fixação da "tenda" e dos transportes e da alimentação e dos grupos de amigos e dos divertimentos, diferentes dos médicos?

Se lhes fossem abertas vagas, onde existem necessidades reais, recusando os artificios que vão existindo para os puxar para a beira-mar, para as não preencherem, não seria mais equitativa a medida, como acontece com os outros profissionais da saúde e, não só?

Médicos de clínica geral nos cuidados primários, é uma má aposta, pois as triagens que fazem, poderiam ser feitas com enormes vantagens pelos enfermeiros. Fica por resolver o consumismo medicamentoso e de subsidiários de diagnóstico. Porém, as vantagens qu avêm da colocação de enfermeiros a todos os níveis dos cuidados primários são imprevisiveis, porque o modelo que se está a usar está ultrapassado, quer no que concerne à consulta quer no que se reporta ao consumismo. Aliás, esta é uma das principais causas de não embaratecer a saúde primária.

Tudo se tem feito, com esta tradicional mania das grandezas, para a tornar numa fonte de rendimento de certas actividades de discutivel interesse para a saúde. Todos os especialistas sabem do que estamos a falar.

Mas quanto à colocação de enfermeiros que substituiram estes clínicos gerais, com enormes e imprevisiveis vantagens, nem uma palavra.

São enormes os esforços dos ministério da saúde para demonstrar a falta de médicos, omitindo sistematicamente a hipótese de aumentar o número de enfermeiros, o que tornaria aquela necessidade menos evidente e premente. Não se admitem enfermeiros para garantir a empregabilidade total dos médicos formados e a formar. Chega-se ao pormenor de despedir enfermeiros para os substituir por médicos.

Oportunamente diremos onde e como isto acontece.

Porque são toleradas "coisas" aos médicos que a mais nenhum profissional se toleram?

Não terá chegado a hora, embora tardia, de ser mais realista, em matéria de saúde, reformando conceitos gastos de eficácia não confirmada, na prática?

Os "Inventores de Doenças", livro que se encontra disponivel no SE, pode explicar muito do despesismo que se mantém, em nome da qualidade da saúde.

Para que o Ano seja Novo, de facto, temos que o encher de conceitos novos e não de teias de aranha.

Cordiais Saudações Sindicais,
O Presidente da Direcção - José Azevedo

 
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