| A triagem dos doentes. |
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| 05-Jan-2010 | |
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Há uma enorme necessidade e uma iniludível urgência, em rever os modelos de fazer triagem do estado dos doentes e sinistrados que demandam os serviços de urgência. A questão não é nova, embora o processo de seleccionar gravidades não seja velho. Pode é ter nascido torto, pois que foi feito por quem o não vai aplicar, para quem o aplica. Tudo começa no algoritmo concebido essencialmente por médicos de Manchester para ser usado por enfermeiros. Dada a sua origem tomou o nome da localidade que o viu nascer. Ora por algoritmo “entende-se ser um processo de resolução de um problema constituído por uma sequência ordenada e bem definida de passos a seguir, que em tempo finito, conduzem à solução do problema ou indicam que, para o mesmo não existem soluções”. (dicionário da língua portuguesa contemporânea da academia das ciências de Lisboa). A partir da morte de um doente, no Hospital de Chaves, por saturação das urgências do dito hospital, ao qual augurámos melhor sorte, aquando da sua inauguração por Mota Pinto, vencidas as dificuldades de acesso e escoada a água que complicava o edifício; um escritor de cartas ao director, que se identifica como António Dias, no caso do JN, pergunta duas coisas muito simples: 1 – “por quem é feita a triagem dos doentes que chegam ao serviço de urgências e que com certa facilidade muda de critérios na atribuição das respectivas cores, à medida que o tempo de espera vai passando”; 2 – “importa também esclarecer muito bem como é que uma demência, pode ter como consequência edema pulmonar agudo”. Parece que este modo de fazer as perguntas tem implícita a resposta e que o perguntador não é tão desconhecedor da matéria, pois sabe que as triagens são, agora, e bem, feitas por enfermeiros, na maioria dos hospitais. Por isso quer saber com que critérios é que se alteram as cores, determinantes do atendimento. Para deixar, subentendida “a culpa é de quem tria”, dá a volta pela atribuição das cores e da facilidade com que estas se alteram, fazendo crer “ingenuamente” que há incompetência em quem atribui cores à chegada e que, estando atento, ao que está a triar, vai lançando avisos para o agravamento do estado dos doentes, reduzindo, obviamente o tempo de espera, adequando a cor ao agravar da situação. Logo, aqui, se vê que quem determina a alteração das cores não é qualquer critério aleatório, mas o doente, que se vai apagando. Sobre quem devia atender estas vítimas, primeiramente, nos Centros de Saúde, onde se gastam fortunas à procura do modelo que mais convém à Classe Médica e não a quem precisa de serviços à altura das necessidades. Depois, deviam ser mais bem atendidos nos hospitais, que deviam ser mais despolitizados e despartidarizados. E com mais enfermeiros, para que a quantidade altere a qualidade. Compete aos enfermeiros, contribuírem decisivamente, como só eles sabem e conseguem fazer, para melhorar este estado de coisas, porque não é do interesse dos doentes demonstrar se há ou não médicos que cheguem. Quando diagnosticam a situação também sabem como lhe dar melhor andamento do que esperar por aquilo que não vem ou se vem, não resolve. A vida não tem preço nem está dependente de discussões; não deve estar. A segunda questão; como é que uma demência pode ter como consequência um edema agudo pulmonar. Torna-se necessário saber quem fez o diagnóstico de demência, pois não é difícil fazer o diagnóstico de edema, nem prever as consequências. Mas não é tão fácil discernir entre o delírio do síndrome de abstinência e o que dizem ser demência. Como também não se sabe até que ponto o físico influiu no psíquico. No fundo pretende saber, sem ter necessidade de se expressar muito bem, qual das causas levou o doente às Urgências. Há dúvidas, quanto à verdadeira causa, pelo que pudemos ler do que foi escrito no jornal, pois a demência não costuma mobilizar para aquele serviço. Pouco faltou para se dar um fenómeno parecido com o de Aveiro: a enfermeira triou a doente e classificou-a com cor laranja. Devia ser atendida no prazo de, com todas as dilatações possíveis, nunca superior a uma hora. Morreu a fim de 4 horas e meia de espera. A culpa não tinha sido, além da morte, pois essa tem sempre desculpa, de quem esteve a fazer cera usando o método do fabrico das listas de espera. Aplicaram-lhe o grau da intocabilidade com que alguns profissionais são bafejados, à nascença. No entanto, conseguiram encontrar um I.U. enfermeiro director de um hospital epifenoménico que descobriu 30 e tantos erros nos procedimentos da enfermeira, sua colega, ao fazer a triagem com a tolerância de até uma hora. Falecendo decorridas 4 horas e meia, o cegueta servil não conseguiu ver um único erro no que aconteceu durante 4 horas e meia de espera. Se lhe perguntassem diria, num estilo próprio deste tipo de lacaios, que foi ali para descobrir um bode expiatório, na enfermagem, para arremessar ao povo e não um culpado da morte da inditosa idosa, como se costuma dizer, agora, dos velhos, para não parecerem tão velhos. Nada temos a opor às estratégias de mostrar que há falta de médicos. Não podemos tolerar é que se tente, sequer, encontrar bodes expiatórios, nos enfermeiros, para darem cobertura a essas estratégias. Um dia, quando forem os enfermeiros a decidirem sobre a matéria, ainda vão descobrir onde devem pôr os médicos, para não atrapalharem as urgências e os doentes em aparente abandono. Mas isto é, ainda utopia, no momento! Para que o Ano seja mesmo Novo tem de trazer coisas novas e não mais do mesmo… Cordiais Saudações Sindicais, |
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