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O INEM e a assistência Pré-Hospitalar criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
10-Feb-2010

A propósito de um acidente na auto-estrada de Cascais, lá veio à baila a palavra “paramédicos”, para prestarem assistência aos sinistrados. Para o “heli-observador” é uma expressão normal, para nós, Enfermeiros, é o reflexo da tentativa que o Secretário …e da Saúde está a fazer, com o Coronel Abílio Gomes de manterem, na indefinição, o papel dos Enfermeiros no INEM.

Pouco claro está que, por detrás das manobras, estão os médicos, que não aderem a estes serviços, mas também não deixam o caminho livre para os Enfermeiros. Enquanto esta estratégia vai operando, os bombeiros e afins vão conseguindo emprego, em hora de crise, numa actividade que devia estar entregue aos Enfermeiros. É mais um dos muitos escândalos que as VMERs fiquem paradas por falta de médicos a bordo, por culpa das direcções dos hospitais, também elas sob o controlo rigoroso de médicos, como tudo, finalmente, na Saúde, em geral, aliás. Este controlo asfixia e demonstra os erros do sistema. Mas a culpa não é só deles, mas dos que se acomodam, também!

Quanto às SIV, (Suporte Imediato de Vida e não “Intermédio”, como dizia o Zé de Sousa de Coimbra) criadas para os Enfermeiros darem, na estrada, o apoio técnico adequado aos doentes, que não dão nos locais de assistência de urgência, entretanto encerrados, continuam nas meias tintas, ou nas encolhas, por culpa dos dois supracitados, os visíveis, sem excluir os invisíveis, tanto ou mais influentes, no impasse.

Do INEM vem, para a revista “Sábado”, nº 301 de 4 a 10 de Fevereiro, a propósito da epígrafe (guerra aberta entre a direcção do INEM e enfermeiros)esta tirada de antologia, brilhante e prenhe de cinismo “sábio” (…a falta de formação não se coloca porque não existe ainda nenhum curso de Enfermeiros para SIV, no INEM), isto em resposta ao que o grupo de Enfermeiros disse, quanto à suspensão da formação, para operacionalizar e agilizar recursos. Por aqui se vê o respeito que estes interlocutores  “inem(icos)” e ministeriais têm pela coisa (a vida dos pacientes).

Por seu turno o MS refere: (É mais uma preocupação sem sentido; não há razão para estarem nesta campanha de atrito, porque os Enfermeiros são necessários para o INEM e para os Hospitais).

Ora, se estas “aluminárias” e fosforescentes fontes de sabedoria não fizessem de nós mais parvos do que somos, não nos respondiam a preocupações legítimas e fundadas, no desprezo que manifestam pela coisa pública, com o óbvio: “os Enfermeiros são necessários no INEM e nos hospitais”. A Pítia ou Pitonisa do Oráculo de Delfos não diria melhor, aos duvidosos consulentes!

Se são necessários em ambos os lados, e são, o seu crime é ainda mais notório, porque sabendo isso, não se admite que brinquem com quem se preocupa com a objectividade das situações. É que os Enfermeiros das SIV não estão a exigir nada especial, mas que legitimem a sua forma precária de requisição, que, com a destruição da FP e respectivos quadros, para deixar a porta aberta a militantes de circunstância, no bom estilo preconizado por Max Weber, deixaram de ter garantias de regresso à situação de origem. Não são os enfermeiros que têm dúvidas de que os Enfermeiros “são necessários” em INEM e Hospitais. Quem parece “duvidar” é quem sabendo a falta que fazem, aí, não os fixa, para manterem a tripa forra para outros, que até parece fazerem menos falta, se os serviços fossem rentabilizados em termos de utilidade prática e não de carências fictícias e de corporação dominante.

É a metodologia usada por este Secretário ….e da Saúde que alimenta a campanha de atrito, pois se os Enfermeiros fazem falta, nas SIV (e fazem, porque são os indicados para aquela função), então por que espera para os fixar de forma segura, aproveitando o seu saber e experiência?

De igual modo, porque não rentabiliza os recursos humanos dos Hospitais, a começar pelo seu (HSJ), onde um colega seu, médico ilustre do dito, chamado a pronunciar-se sobre a problemática do hospital, disse, antes de sair do grupo de opinantes, comandado por uma dessas aquisições dispensáveis: “para o hospital funcionar é preciso despedir 50% dos médicos e aumentar em igual proporção enfermeiros e auxiliares”. E com esta se foi, por não ser bem recebida esta evidência óbvia. Um dia virá quem lhe fará justiça, vaticinamos.

O INEM, no que se reporta à assistência pré-hospitalar é altura de os Enfermeiros se assumirem como os mais indicados para assumirem desde a assistência à organização e elaborarem um projecto cabal que acabe duma vez por todas com estas indefinições e incertezas. Ninguém consegue, mais bem que os Enfermeiros, ser objectivo e realista, nesta assistência, como em muitas outras.

Cordiais Saudações Sindicais,
O Presidente da Direcção - José Azevedo

 

 
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