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Os Cuidados Primários e os Enfermeiros criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
08-Mar-2010

Não sabemos quanto tempo vai demorar a repor o papel, o estatuto dos Enfermeiros, na Assistência sanitária Básica, ou Primária (vulgo Cuidados de Saúde Primários).

De confusão em confusão os “missionários” de que o Dr. Pisco é o “missionário mor”, foram tomando conta de um ardiloso sistema, por eles concebido e controlado, que começa a escandalizar e a violentar a nossa consciência profissional.

O número de médicos destacados em planeamento de planos, onde já nem as enfermeiras “surdas-mudas” têm assento, porque a farsa e a máscara já não são necessárias, tal é a jactância destes obreiros, que nem notam que estão a ser observados por nós e pela União Europeia, que publicou uma Directiva para os países da União, que o nosso Estado Português ratificou, como lhe é obrigatório, onde manda entregar os cuidados de saúde primários aos Enfermeiros.

Justamente por causa da tal “surdo-mudez”, filha de um autismo aberrante, ou altruísta, em que o Eu das ditas, passou a ser substituído pelo Eu do outro, é que os missionários as incluíam no grupo de missão, para manifestarem a sua presença ausente da realidade. Os efeitos são os que nós muito bem conhecemos.Em tempo de crise, não deixa de nos espantar o à-vontade com que se fala de falta de médico de família, como a resposta imprescindível ao nível da Assistência Primária.

Vão sair 300 médicos para não perderem a pensão de aposentação menos choruda, sem que isso tenha algum efeito prático, pois a máquina do Ministério da Saúde, onde o Missionário Mor do Reino tem assento privilegiado, já está a ser oleada, para que a reentrada dos 300, com contratos milionários, que incluem a gratidão da firma contratante, não faça corar alguém de vergonha.

Aliás, o coro de hipocondríacos saudáveis, que os “Inventores de Doenças”, de Jörg Blech, tão bem caracteriza, desde o seu nascimento, ao desenvolvimento e inserção no SNS, não perdoaria ao MS, se não recontratasse os 300 e mais 300.O Sr. Dr. Carlos de Arroz do SIM, o dos bafos e desabafos sindicais, que tem por mim uma afecção mórbida, muito própria, diz que é preciso a “Classe Médica não esquecer que Portugal é dos países da União onde os Enfermeiros têm os salários mais próximos dos de Médicos”.

Não lhe chamamos mentiroso, porque pode ser só ignorante. Bastava ir comer uma lampreia a Tui e perguntar quanto ganham os Médicos e os Enfermeiros nos Centros de Saúde de Espanha.Noutros países da União a comparação não se pode fazer, porque estão fora do sistema, isto é; têm os seus consultórios particulares, convencionados ou avençados, para onde os Enfermeiros encaminham aqueles clientes que precisam de consulta médica, por estarem a sofrer de qualquer problema de saúde, que a consulta do Enfermeiro não resolve e determina o envio à consulta do médico fora do sistema.

Já não se duvida que, em Portugal, país mal gastador nos cuidados de saúde, sobretudo primários, há dois licenciados a fazerem a mesma coisa com todos os inconvenientes que daí advêm: o licenciado em Enfermagem e o licenciado em Medicina. Como a formação do médico português é virada exclusivamente para a área das patologias, estão, agora, a introduzir uns rudimentozinhos extra-patologias, para o faz-de-conta e para não ficarem tão admirados com as competências e iniciativas dos Enfermeiros, nos Cuidados Primários. Até já têm pós‑graduações em medicina, nas universidades carenciadas de alunos, como Aveiro e Faro.É tal a sua omnipotência e omnipresença que nem reparam que isto só tem sido possível, porque os Enfermeiros têm estado muito mal representados na esfera do poder, através das citadas SM.

Os outros apanham com as más decisões políticas, pela cabeça abaixo, nos locais de trabalho, transformados em autênticos inferninhos.Vamos denunciar o despesismo desta má política que mantém dois técnicos a fazerem a mesma coisa. De inicio podemos provocar aquele sorriso habitual, com que o Missionário Mor nos brinda, sempre que escrevemos coisas tão sérias como esta que estamos a desenvolver.

Com o tempo, vamos assistir à substituição progressiva do famigerado “médico de família” pelo “enfermeiro de cuidados primários”, pois isso da família foi chão que deu uvas, como soe dizer‑se, agravada com as homologias da moda.

A forma caricata como estão a forçar a criação de USF do tipo B, atropelando tudo e todos com a malfadada semente dos RREs, merece uma atitude enérgica da nossa parte, pois não se admite que esses oportunistas baratos se queiram implantar, onde não há espaço para isso, nem clientes sem médico, porque se está a confundir ficheiro do médico, com necessidades reais da população, em matéria de consultas médicas, que não são a essência dos Cuidados Primários, note-se.

Temos de começar pelos esquemas montados nas próprias Administrações Regionais, que se prolongam e alimentam do próprio ministério da saúde, esse sorvedouro de dinheiro mal gasto.Vamos ao fundo da questão para encontrarmos, como outros já fizeram, há muito, a solução das problemáticas ao nível da Assistência Primária.

A César o que é de César; aos Enfermeiros o que é dos Enfermeiros!

Cordiais Saudações Sindicais,
O Presidente da Direcção - José Azevedo

 
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