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INEM e OE criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
05-Jul-2010

O espectáculo a que temos assistido, nos últimos tempos, acerca do INEM e o que mostra do “iceberg” é um reflexo do estado em que o SNS se encontra, com o gabinete ministerial que temos, a desmontá-lo.

Há muito tempo que tínhamos previsto o que está a suceder, com escassa margem de erro.

Ou não nos ouvem ou fingem que não ouvem.

A Ministra diz que os Enfermeiros não fazem falta no CODU, mas sim nas ambulâncias a transportar os doentes, em perigo de vida. Não podemos estar mais de acordo, até porque Enfermeiros altamente especializados e conhecedores do seu desempenho, não precisam das directrizes do CODU, sobretudo de telefonistas profissionais da tecla. Não sabemos onde ficaram retidos, pois ainda não chegaram às SIV.

Mas não percebemos por que deixa, no lugar de 1 Enfermeiro, 2 Médicos. Já sabíamos que em muitos terrenos não ajudam: só atrapalham. Mas tirar 1 e pôr 2, destrói por completo a nossa capacidade de entendimento, pois é preferível não percebermos do que estarmos a pensar em mais uma manobra do ministério para garantir pleno e pluriemprego a médicos, com o mais refinado desrespeito pelo regime da crise; que só alguns têm de suportar.

Depois, alguns Enfermeiros que já andavam a anunciar as suas saídas, há tempos, resolveram antecipá-las um mês. É um gesto de revolta mas de efeitos moderados e individualizado.

Teria sido preferível que aqueles que ganharam uns euros a dar aulas a formarem curandeiros, que agora se apresentam como alternativa, tivessem tido a honestidade e a visão de não atraiçoarem as normas profissionais, pondo, nas mãos de ignorantes, conceitos encruados de saberes que requerem formação aprofundada e técnica, pois é de vidas humanas que estamos a falar.

Podíamos esperar uma actuação concreta e eficaz da Ordem dos Enfermeiros. É para preservar o uso irregular de competências dos Enfermeiros que foi criada. Mas o ar conciliador e pungentemente lamuriento da Bastonária, perante as câmaras de tv, no mau uso habitual que faz delas, queixando-se da falta de palavra de quem lhe disse uma coisa e está a fazer outra, não deixava dúvidas quanto à fraqueza do gesto.

O tiro foi certeiro ao Dr. Pizarro, que nunca mais volta a ser o médico curioso que queria saber tudo do Enf.º Azevedo, depois de ter descoberto o carinho que os socialistas tripeiros têm por ele…

O tiro foi certeiro mas a pistola em vez de bala lançou um pequeno jacto de água, pois era de plástico e devia ser de algum sobrinho da Bastonária.**Quando se esperava uma acção exemplar de quem tem que defender os Enfermeiros, na sua integridade e idoneidade profissional, como é próprio da OE, nada.

Porém, não se diga que a OE não sabe os deveres e competências, que tem; todavia, os processos que conhecemos sobre a acusação de usurpação de funções são todos contra enfermeiros com o título de enfermeiro, que não pagam as quotas. Para os dirigentes que temos na OE a falta no pagamento da quota invalida o título profissional.

No exterior a OE usa pistolas de carnaval, como foi o caso.

Até gravei a cena para ter a certeza de que não ouvi mal.

Antes de a OE se ter apercebido de que era com ela, já o Dr. Pizarro se tinha comprometido com a classe dos curandeiros de ambulância a conseguir-lhes uma carreira, com a agravante de serem alguns enfermeiros com vocação de professores a treinarem estes curandeiros, para substituírem os Colegas devidamente formados.

Não consta que a OE tenha reparado nisto, nem actuado em conformidade.

Se fossem outras Ordens, nomeadamente a do Dr. Pizarro, certamente que não eram tão tolerantes.

Fica-se a saber que a Dr.ª Ana Jorge vai colocar não um mas 2 médicos a substituir os Enfermeiros daqueles que um vale por 2 dois médicos. Isto sim: é o verdadeiro espírito corporativo e de Classe. Tudo em nome da qualidade que é um exclusivo dos médicos, com patente registada e tudo o que um notário exige. 

Assim vai a saúde da Saúde.  

Cordiais Saudações Sindicais,
O Presidente da Direcção — José Azevedo
 

 

 
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