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09-Jul-2010

Às 17 horas do dia 06_07_10 os sindicatos e a Associação Portuguesa de Enfermeiros ligados à pré-hospitalar reuniram na sede da nossa Ordem a convite da Bastonária. Em causa está o INEM.

Há enfermeiros nas ambulâncias tipo SIV (Suporte Imediato de Vida) que têm um destacamento dos hospitais para este serviço e terão de regressar, quando acabar o destacamento. O problema é que alguns deles quereriam continuar a trabalhar nos dois cargos: fazerem uma parte do tempo no hospital a que estão ligados, outra parte na ambulância. É óbvio que esta adaptação levanta problemas de vária ordem pois há locais onde nem sequer há hospitais e inviabiliza a possibilidade de o INEM ter um quadro próprio.

Depois o INEM e a administração que tem, entendem que sem médicos não há nada em saúde/doença, por isso inventou uma forma de protelar as coisas, até melhores dias que já se sabe qual é o resultado: O Plano Estratégico dos Recursos Humanos. É um título interessante até para um filme de terror ou cómico, dependendo do ângulo de visão do observador neutral.

Parece que anda por aí um arrazoado sem tom nem som, que não satisfaz, mas ao qual ainda não tivemos acessos.

Como se trata de recursos e como há muitos enfermeiros interessados na pré-hospitalar, porque entendem e bem, que é uma área que lhes assenta como uma luva, vamos tentar saber quantos são os enfermeiros que têm formação mais aprofundada nos suportes de vida; básico (têm mais do que isso), imediato (são naturalmente os mais aptos), avançado (não ficam aquém dos médicos, muito menos dos inexperientes, na arte, que vemos com os coletes amarelos vestidos, que ainda não tiveram tempo de adquirir a aura de “infalibilidade científica”, como pensam alguns).

Neste campo há uma parelha de dois, um médico e um enfermeiro, que se apossaram do que entendem ter o direito de monopolizar (esta formação), a propósito de uns manuais que, como os aparelhos que se compram têm de acompanhar o aparelho para leigo saber como funciona. Não é o caso.

Fazem crer que sem aquela formação os enfermeiros não são capazes de salvarem vidas.

Chamamos aqui este ponto porque nem este nem qualquer outro grupo de interesses oportunistas tem o direito de apanhar com as mãos o ar que se respira, como também não têm qualquer legitimidade para validar ou invalidar os títulos académicos dos profissionais, sobretudo enfermeiros, que se dedicam à pré-hospitalar. As normas são uma questão de sistematização do que se faz.

O Dr. Miguel Oliveira até parece ter inventado a “checklist”, porque chegou, agora a um domínio (+ 1). Nada mais errado. Há muitos, muitos anos que os enfermeiros praticam a técnica dos manuais, com altos e baixos consoante a maior ou menor formação de quem tem de os utilizar. Sem eles não havia “Kings Found”, nem outras versões.

Não precisamos de nos zangar com isto mas não podemos deixar de lembrar a estes recém-chegados que não estão a descobrir nada de novo. Pôr uns quantos títulos aparentemente originais e mais ou menos visíveis não dá à coisa o carácter de originalidade, nem o direito de autoria. Quando muito podem ficar com os títulos, mas o conteúdo não é desses espertalhões.

Estamos a tentar concluir até que ponto INEM está a ser explorado por esta inteligências serôdias.

Finalmente vem a história do “Heli” e a sua inoperacionalidade por falta de médico. É a teoria do Sr. Dr. J.Silva que dizia: o queimado pode vir acompanhado de um enfermeiro se vier na ambulância; mas se vier de helicóptero tem de ser já tem que ser acompanhado por médico.

Isto não é dito por um Zé da Silva qualquer. Foi dito num dos famigerados “prós e contras” da Fátima Campos F. pelo representante da Ordem dos Médicos.

Lá está o médico militar responsável mor do INEM a tornar público que vai treinar, provavelmente no programa dos outros, atrás referidos médicos sábios, com cartão de perito, para que os Heli vão socorrer quem precisa. Julgo que também levam enfermeiro, porque médico sem enfermeiro, não sabe actuar.

Para os mais atentos e curiosos deixamos umas palavras, a propósito, extraídas do texto do Dr. David H. Newman  - “Onde Falham os Médicos”, para se saber do que estamos a falar, sobretudo…

Mas ao contrário da crença popular e das descrições feitas pelos orgaos de informação, estes milagres são raros. De acordo com estudos extensos e importantes  que têm sido feitos, a taxa global de fracasso da reanimação cardiopulmonar, ou RCP, varia entre 93 e 99%....”

Não se pretende tirar o mérito a quem o tem. Estamos a culpar de falta de realismo o militar do INEM, que dá mostras como muitos outros de total incapacidade para concretizar coisas simples e eficazes como são a conservação da vida, maioritariamente à guarda dos enfermeiros. Quando estes falham o doente morre. Mas… venham lá os “helicopetristas” médicos, segundo a visão de Dr. J. Silva, para ver se melhoram as estatísticas feitas a 10.000 RCP, em Otava.

Cordiais Saudações Sindicais,
O Presidente da Direcção - José Azevedo

 
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