| Há quem se escandalize... |
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| 09-Jul-2010 | |
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Temos vindo a pôr o dedo na ferida do SNS, por isso sangra. Há tempo falámos nos falcões da medicina. Por razões que nos escapam, ou talvez não, recebemos alguns mimos de intolerantes tirocinantes, sem qualquer espírito desportivista. Como se os enfermeiros não existissem. Como se a saúde fosse um exclusivo dos médicos, pensaram criar um grupo que estivesse entre os médicos e os enfermeiros; os licenciados com uma pós graduação, em medicina, obtida em Aveiro ou no Algarve. Os cuidados primários de assistência sanitária não são uma atracção para os potenciais astros da medicina; Mas os estrategas da coisa não querem reconhecer o caudal de capacidades dos enfermeiros, para estes serviços primários. Por isso têm de arranjar um híbrido enxertado em corno de cabra, como diz um nosso conhecido Apolinário. Pegaram nos frustrados da enfermagem ou de outras licenciaturas das não corporativizantes e adicionam-lhes um suplemento de medicina e, tal como os falcoeiros encarregados de expulsar pássaros, passarinhos e passarões, dos aeroportos, para não enrascarem as turbinas dos aviões, treinando os falcões para imporem as suas regras e impedirem a fixação embaraçosa dos outros pássaros. Ouvimos à voz da Ordem dos Médicos, no Sharaton do Porto, que era preciso criar um médico com aptidões especiais, para os cuidados primários. Dissemos que já havia o licenciado em Enfermagem, no desemprego e não seria preciso criar outro licenciado. Não caiu bem a observação. Até discordaram do que disse; obviamente e, ainda bem. Mais tarde, nas faculdades com parcos recursos lá foi implantada a pós graduação referida. Não sabemos se é o princípio do fim de qualquer coisa, ou o princípio dela. Pôr-lhe o nome de falcões é não saber a capacidade de resistência e defesa, dos enfermeiros. Quando o Bastonário da Ordem dos Médicos vier dizer que não concorda com estes “falcões”, não seria mal lembrado se os Enfermeiros dissessem e nós também não. Ora, em circunstancias em que é necessário ensinar as boas práticas, e quantas mais melhor, eis que há quem tenha a ousadia de investir em teóricos que já deixaram de ser práticos e detentores do “eiro”, para ainda não serem coisa alguma: como o era e não era. Se é só para poderem receitar, não vale a pena descaracterizar o produto, porque mal vai se nessa data em que vão sair os primeiros falcões, os enfermeiros ainda precisarem deles para receitar umas pastilhas pelo nome químico, sem direito a compensação pedagógica… Como gostávamos que isto não fosse tão materializável e fosse mais humanizador; ainda não é. Assim vai a saúde da Saúde. Cordiais Saudações Sindicais, |
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