| Médicos já fazem mais horas extraordinárias... |
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| 09-Jul-2010 | |
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Esta é mais uma originalidade portuguesa e vamos explicar, sucintamente, como se chega a esta situação. Já tínhamos abordado esta velha questão, que não tem muito de novo a não ser o pormenor de ser o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) a denunciar a situação, quando a responsabilidade desta lucrativa situação é dos próprios. Diz o SIM que cada médico fez em 2009, em média 2000 horas extras. Teoricamente “o horário normal de um médico, que não esteja em dedicação exclusiva totaliza, por ano, 1650 de trabalho o que significa estes profissionais trabalharem mais em regime extraordinário do que no seu horário normal. As horas extraordinárias são feitas quase exclusivamente no trabalho de urgência. Por isso, continua o SIM , em 2009 os médicos fizeram 2 bancos de 24 horas, por semana, quando deviam fazer 12 horas semanais apenas, de trabalho extraordinário”. Agora é que a porca torce o rabo. Dizem que esta situação se deve à falta de recursos humanos e às reformas previstas e previsíveis. Este ano estão a reformar-se cerca de 50 médicos por mês. Esta é uma notícia do “Sol de 2-07-10”. Quando um médico se reforma, pode trabalhar no INEM e em urgências de 2 hospitais, sem as restrições dos 50 anos, a partir dos quais estão isentos das ditas, em situação normal. Esta potencialidade energética, indignifica o baixo rendimento em circunstâncias normais. Não sabemos o que se deve dizer desta incongruência porque é apenas uma questão de pormenor. A essência desta problemática, insustentável em situações de abastança, requer urgentemente, uma solução drástica, que inverta este esbanjar imoral de dinheiro, num grupo profissional que, até, se arma em vítima, duma situação que perpetua, com evidentes e chorudos lucros, ano após ano. Mas há um problema de base: vivemos em medicocracia ou ditadura médica, com uma articulação perfeita, entre formas e estruturas representativas da Classe. Obviamente, que não querem nem podem reformar o sistema, que prolongam, através de estratagemas duma estratégia que, enquanto estiverem no exclusivo do comando do SNS, não lhes vai faltar imaginação para manter o senso comum amarrado aos seus estratagemas, onde não falta a vitimização fictícia. É o requinte do cinismo. Está provado que há um exagero no número de médicos de serviço, nas urgências, o que leva a esquemas de aproveitamento de duplo efeito, como fazer SIGC, durante o tal pagamento de horas extraordinárias. Depois centram, os mais requisitados, obviamente, todo o serviço da semana, no dia das urgências com o falsíssimo argumento de que têm de seguir os doentes nas enfermarias, no dia seguinte, por isso têm de ter quarto para dormir. E dormem mesmo! Se não estão mais tempo do que o indispensável com os “seus doentes” (só os médicos é que têm os seus doentes), nem todos os dias vão vê-los, naturalmente, como é facilmente demonstrável, por esses profissionais da estatística, quando tiverem a coragem de voltar para esse lado da questão. Se é assim e é, por que hão-de ficar mais tempo nas urgências para, enquanto recebem horas extra, pelo serviço nas urgências, estarem a fazer visita aos doentes, que noutros dias não fazem; ou a consultarem os doentes inscritos na sua consulta, também pagos em horas extraordinárias, pois quando há alguma situação de urgência, lá vão, interrompendo o que estão a fazer. Foi esta prática que levou a que, noutros países, as urgências só tenham enfermeiros que executam normas protocolares e, só depois, de estabilizado e munido dos exames analíticos e radiográficos é que chamam o médico. Isto é mais autêntico. Cá, também é assim, por isso têm tempo para passearem por outras actividades, durante o tempo em que estão a ser pagos em horas extras, enquanto os enfermeiros preparam os doentes para a intervenção dos médicos, quando é caso disso. Quando é que se faz o estudo da ocupação de tempos e movimentos dos médicos e dos enfermeiros nas urgências, como se fez nos SAP, SASU e outras formas ditas de atendimento de urgência. É uma forma serôdia de taylorismo, mas à falta de melhor, serve na circunstancia. Era por aqui que se devia começar, mas em Portugal, os médicos, que controlam o SNS, concentraram a multidão nas urgências hospitalares, justamente, onde são mais onerosas as prestações de cuidados. Logo, só acredita quem quer, nestas lágrimas “crocodílicas”, que derramam, antes de comerem a vítima, passe a semelhança… A passividade dos enfermeiros tem ajudado a estas predominâncias. Não sei quanto tempo vão continuar de costas viradas para a significância do seu trabalho e para o dever que têm de ajudar a racionalizar as urgências. São abusos como este, das urgências médicas, que consomem a parte que corresponde aos enfermeiros; por isso há dificuldades em os requalificar com os valores académicos e profissionais, que detêm. Os médicos comem tudo e isto tem de deixar de ser tabu; tem de se discutir, ao milímetro. Vamos protagonizar, sem pressas, a verdadeira reforma do SNS, pois é por isso que se espera e as circunstâncias exigem. Vamos escolher o modelo organizativo que seja eficaz,nesta conjuntura. Assim vai a saúde da Saúde! Cordiais Saudações Sindicais, |
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