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Erros médicos... criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
14-Jul-2010

“Errare humanum est”, já diziam os pais da nossa língua: os latinos.

Mas antes deles o Aristóteles também deixou dito: “ Os homens adquirem uma qualidade particular ao agirem constantemente duma certa forma – tornar-se-á justo ao agir com justiça; sóbrio, ao agir com sobriedade; corajoso, ao agir com coragem.

Mais tarde veio a descobrir-se que nos tornamos dignos de confiança se agirmos com um grau suficiente de fiabilidade.

Foi assim que a Swissair, para aumentar a sua competitividade, face à concorrência determinou às hospedeiras que: “rasguem os manuais de atendimento dos passageiros; sejam humanas”.

Nos tempos de crise, que discorrem, multiplicam-se os discursos e os grupos no Ministério da Saúde.

Se errar é humano;

Se os erros são médicos e só médicos, é natural inferir que dos agentes hospitalares ou hospitaleiros, somente os médicos são humanos, porque só eles têm direito a errar; ou mais bem, ainda, todos os erros lhes são imputados, porque somente eles são imputáveis. Os outros, nos quais incluímos os enfermeiros; ou não erram ou são inimputáveis. Pomos esta coisa nestes termos para que ressalte a “brilhante descoberta” dos erros, como uma coisa inventada nos laboratórios da ciência médica: falso e injusto, para quem muito antes deles se preocupava com isso.

A questão é outra; como os médicos se estão a intrometer, cada vez mais, na área da enfermagem, para garantirem o emprego, mesmo no que não sabem nem querem saber, com a passividade de alguns responsáveis, pela representação da enfermagem, como a sua Ordem, conscientes e colaboradores e defensores da complementaridade, no reino da subjectividade, pois só a esse nível é possível, para os que não sabem nem querem saber do que falam, por défice de prática profissional, ou de vocabulário, para saberem o que quer dizer complementaridade, encontram nesta desumanização da enfermagem um bom exemplo do atrevimento e do desrespeito profissionais. Por isso os enfermeiros ou não são humanos, ou a serem isso, não erram, ou os seus erros não são importantes para merecerem inscrição própria na lista dos errantes.

Francamente, até parece mentira ou estupidez, ou ambas!

Aqui está mais uma das consequências de haver médicos por todo o lado a fazer o que nem de longe lhes assenta bem. E parece não haver quem veja isto, além de nós, ao ponto de parecermos obsessivos e estarmos a adquirir a mania de perseguir ou ser perseguidos. Nada é mais errado nesta plêiade errante.

Não é difícil inscrevermos o grupo dos enfermeiros no subreino dos humanos, julgamos nós.

Ora se os enfermeiros também são humanos, estão sujeitos a essa condição que caracteriza os humanos – errar.

Ainda temos uma vantagem a nosso favor: dando cobertura às 24 horas do dia, sem intervalos, apanhamos com aquelas horas em que é mais fácil errarmos, porque temos as defesas em baixo, de acordo com as fragilidades humanas.

Antes de o Dr. Miguel Oliveira ter “inventado” a checklist, para evitar 60 dos 2,5% de erros em cirurgias, já os enfermeiros faziam a sua investigação e ditavam as suas regras para evitar os erros; checklists é o que eles mais sabem fazer.

Em maré de poupanças o Ministério da Saúde podia reciclar os profissionais que andam a polir as cadeiras do ministério com actividades impróprias envernizadas com polimento de vender mais bem. Esta dos erros médicos não faz lembrar senão a banha da cobra, para todas as maleitas.

Não obstante, queremos deixar bem claro que estamos fartos de saber e de concordar que; para aumentar a credibilidade dos nossos préstimos, reconhecer os nossos erros e pedir desculpa às vítimas deles, sempre que é exequível, aumenta a confiança e credibilidade dos que precisam dos nossos serviços.

Também não estamos contra esta iniciativa serôdia do grupo médico se incluir nos subreino dos humanos e reconhecer que erra: uma coisa implica a outra coisa, porque só os humanos é que erram, porque têm consciência de si e dos seus erros. Vale mais tarde do que nunca.

Não admitimos é sermos confundidos com médicos, quando erramos, porque de duas, uma;

Ou ficamos como responsáveis exclusivos dos erros, como no caso das compressas esquecidas na barriga dos doentes, em que ao médico cirurgião é reconhecida a capacidade de não ver, mesmo não sendo cego de todo e à instrumentista enfermeira não é reconhecida a capacidade de se enganar a contar as compressas, no balde do lixo;

Ou amalgamando numa massa indefinida as causas de erro, podemos estar a ser culpados de culpas que não são exclusivas, permitindo uma escapatória aos médicos. E não estamos a falar de cor ou falar por falar. A nossa experiência sobre a matéria dá-nos exemplos concretos disso mesmo.

Lá no grupo de peritos queremos que fique bem diferenciada a capacidade de errar dos enfermeiros e não deve ser subsumida na falácia “médica” porque é palavra que não abarca a realidade total e é um abuso subsumir tudo o que lhe diz e não diz respeito.

Os enfermeiros querem erros de enfermagem autónomos.

Senhora Ministra, nessas manobras de diversão estivais, como entretenimento de férias, deixe os enfermeiros serem eles, pelo menos no erro.

E se não tem que dar a fazer aos médicos, exporte-os como faz com os enfermeiros, apesar de faltarem nos cuidados de saúde e de doença.

Cordiais Saudações Sindicais,
A Direcção do SE

 
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