| Se queres ver o vilão |
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| 19-Jul-2010 | |
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“Mete-lhe o chicote na mão”, eis um provérbio muito antigo, que se ajusta à nossa realidade actual, no exercício da profissão enfermeiro.
Isto seria um divertimento de garotos brincalhões, se quem exerce a enfermagem não tivesse que viver do seu salário, cada vez mais magro para os médicos comerem à tripa forra, nos vários esquemas que vão inventando, a pretexto da “falta de médicos”, que é mais uma falta de vergonha, honra e dignidade de quem emite estes juízos de valor, totalmente infundados. Sabe-se que a assistência na doença, não é um exclusivo dos médicos; só não é um exclusivo dos enfermeiros, porque há um conjunto de intervenções dos médicos, ditas e tidas por científicas, sem que alguém, dentre os sábios, se preocupe em definir o que é a ciência, no ser humano, para bichanar aos médicos, como fazia o ponto nas salas de teatro, aos actores. E, já agora, o que é aquilo que dizem ser científico. Claro está que o nosso PM optou por fazer a assistência sanitária, só com médicos. Os outros são complementares, para estes ignorantes de que não o excluímos, por razões óbvias; primeiro porque não é médico; segundo porque não sabe discernir entre o que é médico e é enfermeiro; entre o que faz um e o que faz outro. Com base neste sofisma e também por muita culpa de alguns enfermeiros; primeiro porque se põem a jeito do vilão, dando-lhe uma importância que este não tem, quer subvalorizando os colegas enfermeiros, quer endeusando a “infalibilidade médica”; segundo, porque ocupam, de fachada, lugares que foram criados para representação digna e capaz dos enfermeiros. São estes IU que os médicos, que também não exercem cabalmente ou minimamente a sua profissão, elegem, através dos canais que controlam, para os ajudarem a cuidar dos seus interesses (de médicos), porque são dos que entendem que os enfermeiros, por si, não são capazes de nada. Dizem e pensam isto de manhã e perto do vilão do chicote; à tarde e à noite, vêm para junto dos colegas, com uma verborreia tamanha, que parecem sábios e sinceros, falar de autonomia do enfermeiro. Sinceros, até admitimos que sejam, mas de sábios é que não têm nadinha, que se veja. Se, por exemplo, meditarem 10 segundos (para mentes exercitadas, bastam) por que havendo entre os médicos as tendências sindicais, que oscilam entre os pró-CGTP e pró-Independentes, ou seja FNAM e SIM, porque se não fossem diferentes eram iguais, como diria “Lapalisse”, fazem as negociações de carreiras e tabelas numa só mesa negocial, ao que supomos, através do pouco que transparece, para o exterior. E por que razão os enfermeiros têm duas mesas negociais para negociar a mesma carreira e a mesma tabela? É óbvio que os sindicatos de enfermeiros, também têm as duas mesmíssimas tendências: há os pró-CGTP – a CNESE (SEP e SERAM) e os Pró-UGT e Independentes (SE e SIPE). Quem não conhece a máxima do “dividir para reinar”, vá à fanfarronice do Secretário de Estado Ajudante e da Saúde e tente perceber por que terá dito, “ os enfermeiros… já os comi”, aos militantes PS Porto e Arredores, que anda a engodar, para colocação futura, visto que como muitos outros, desistiu de exercer a medicina!? Foram vãos os esforços que a FENSE fez para constituir uma só mesa negocial. Bastou o advogado do SEP dizer não, à mesa negocial única, e os dirigentes do respectivo mantiveram a divisão. Aqueles que são instruídos para dizerem: “se os sindicatos falassem a uma só voz e fossem unidos”… terão de pensar primeiramente: qual voz única, a nossa ou a dos que negoceiam as tabelas da hospitalização privada… Sabe-se agora, qual a verdadeira intenção: comer os enfermeiros. Como, entre nós, não há práticas de canibalismo, a expressão não é muito feliz e só a minimizamos por vir de quem vem; mas não deixamos de a anotar para os devidos efeitos. Se, entretanto, o visado quiser fazer a tentativa de dar o dito por não dito, que tenha a coragem de nos desmentir, primeiramente, para podermos desvendar quando, onde e com quem teve esta tirada infeliz, mas esclarecedora e gabarola. Ora a culpa não é somente dele; é de quem lhe meteu o chicote na mão. Fizemos uma breve incursão sobre o que resta das lutas da população de Valença. O que vimos é a realidade da nossa saúde: os Enfermeiros que tirocinaram no anterior SAP, entrementes encerrado, são os que, agora, asseguram, como asseguravam, no SAP uma nova criação médica: a consulta aberta (ca). E os médicos, só permanecem na dita (ca), com trabalho extraordinário pago a dinheiro. Para os enfermeiros o pagamento, das mesmas horas extraordinárias, como as dos médicos, é feito através de fichas de casino para jogarem na roleta da vida. O plenipotenciário lá da ULSAM foi e disse do alto do seu pedestal:”as horas extraordinárias pagas em dinheiro são só para os médicos; as dos enfermeiros são pagas, em tempo, quando eu disser, mas nunca antes do próximo inverno”. As verdades dos responsáveis da Câmara, são como são e valem o que valem: O Presidente da Assembleia Municipal dizia que o SAP só encerraria depois de passarem por cima do seu cadáver. Fomos encontrá-lo a almoçar com uns supostos amigos; o Presidente da Câmara fez igual juramento, mas também do seu cadáver, nem rasto. Se não o levaram para alimentar os abutres das cercanias de Lagoaça, desapareceu, deixando no seu lugar, um sósia quase perfeito e com uma palavra de honra semelhantemente eficaz. E o SAP fechou; E a CA veio substituí-lo, porque os enfermeiros, que nele prestavam cuidados de urgência, são os que, agora, os prestam na CA, mas sem direito a horas extraordinárias pagas em dinheiro, e sem direito a folgas, julgamos que por ignorância do vilão. Do seu pedestal o todo-poderoso decretou para toda a ULSAM: as horas extraordinárias pagas em dinheiro, são só para médicos e um ou outro não enfermeiro; os enfermeiros recebem as horas pagas em tempo, quando Sua Alteza Poderosa determinar. E quem não estiver de acordo, dê um passo atrás. Eis uma maneira “inteligente” de cumprir a redução dos x% decretados pela Ministra para alimentar a crise. Imaginem que não estávamos, aqui e atentos às circunstâncias! Quem havia de alertar os enfermeiros para os perigos que correm, por não saberem criar listas de espera, por não fazerem valer na opinião pública, a escassez que há de enfermeiros. Quando os médicos pretendem demonstrar que há falta de médicos, mesmo que fictícia, nas urgências hospitalares, metem a válvula redutora, no atendimento; chamam uma ou mais estações televisivas para verificarem o ajuntamento, a multidão e perguntarem invariavelmente, não de que se queixam, mas há quanto tempo estão à espera, porque o objectivo não é saber se estão doentes, mas que há falta de médicos e a Ministra da Saúde, que temos, considera criadas as condições, para fechar os olhos aos contratantes e contratados por outsourcing ou insourcing, legitimando a pseudo-escassez. As verbas dispendidas com estes mercenários (mercenários no sentido de se venderem pela melhor oferta, sem responsabilidades) do atendimento nas urgências, autêntico desafio à resistência humana, comprovando que só morre quem tem de morrer, são, também, além do mais, um atentado ao erário público, aos óbolos tributários dos que pagam, porque não têm quem lhes ensine o caminho da fuga ao fisco… Estas breves pinceladas são o intróito das causas-mãe das coisas que estão a acontecer. Para os que tiverem curiosidade e necessidade de as conhecerem, visitem este sítio, porque nele vão sendo expostas sem filtros, nem fronteiras: quem as faz é que tem de pagar e não os inocentes, vitimas de tanta vilania. Porque lhe deram a vergasta ou chicote, para a mão, foi possível ver o quilate do vilão. Assim já não temos que andar, como o D.Quixote, a lutar contra moinhos de vento; podemos dar a pancada no sítio certo, e ao nosso jeito, até alguém, dos que transitam pelas vias da República, reparar em nós. Cordiais Saudações Sindicais, |
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