| A montanha pariu um rato |
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| 21-Jul-2010 | |
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Para os que pensam que criticamos por criticar, vamos dar umas pinceladas sobre o que pariu um grupo de eleitos pelo MS para fazerem um estudo e relatório respectivo, sobre a organização interna e a governação dos hospitais… 1- Comecemos pela constituição numérica do grupo: 10 médicos, 3 administradores, 2 enfermeiros. Se, como diz a dialéctica: “ a quantidade altera a qualidade” e altera, então estamos perante um fenómeno que vem lampejando, aqui e além (vide o conceito de risco e erro do bastonário da OM e compare-se com o dito neste texto exuberantemente público; não há fome que não desemboque em fartura…); 10 médicos escolheram 3 gerentes ou administradores, que lhes fizessem um relatório, para 2 enfermeiros ouvirem ler, sem direito de intervenção. Ainda dizem que há falta de médicos?!
São estas as características do relatório que vai ter como eleitos 3 hospitais experimentais, um dos quais, não nos espantaria que fosse o HSJ, dado o presidente do seu CA integrar o grupo dos eleitos e o júri da escolha ser o mais isento e equidistante possível, dentro do possível, note-se
2- Convém não esquecer que, aqui há uns dias, foi publicada uma notícia de que este grupo ia estudar a hipótese de os médicos serem pagos segundo a produtividade, lembram-se? Ora se assim fosse, teríamos de definir, com todo o rigor e uma pouca da muita transparência que o “relatório” invoca abundantemente, como se fosse tudo translúcido, antes destes eleitos, qual a produtividade directa do médico e a directamente imputável aos enfermeiros, para cálculo do grau de esforço e de investimento autónomo de cada profissional. Nos CSP não há dúvidas do parasitismo dos médicos que, para se tornarem indispensáveis, absorvem, nas suas fichas de “trabalho” tudo o que os enfermeiros fazem e desfazem. Nos hospitais não vai ser assim, porque nos CSP vamos ter de introduzir as alterações necessárias. Este grupo de eleitos pode ser um bom prenúncio para exigirmos um simétrico para os CSP, mas, já agora, que tenha 10 enfermeiros, 1 médico e 1 administrador. 3- Torna-se imperioso restituir à palavra CLÍNICO o seu valor etimológico de modo a não ser presa de qualquer grupo profissional, não subvertendo a autenticidade da administração de hospitais e afins. Ora se o étimo da palavra é grego; Se, em grego, KLINIKÓS, de onde a palavra deriva, significa LEITO, CAMA, temos de regenerar o termo para que se refira ao doente ACAMADO, DEITADO, e só. A nossa colega Florence tem alguma culpa ao classificar o seu processo de registos diários e constantes, dos doentes acamados de “processo clínico do doente”, para, através deles (dados recolhidos dos médicos e não só) arquitectar o plano de cuidados a prestar pelos enfermeiros. Um certo desleixo dos enfermeiros, no registo das patentes do que os seus processos de investigação autónoma estabelecem, permitiu, mais uma vez, que posteriormente a classe médica abocanhasse esse objecto e conceito deitando-se no clínico que é reservado ao doente. Se clínico não quer dizer médico, e não quer dizer isso, como se vê, claramente, então o relatório tem que ser mais transparente e explícito, para que a transparência fictícia, trás da qual se esconde, demonstre o que é clínico e não é, para passar a ser ambulatório, que é o oposto de clínico. Parafraseando o padre António Vieira, acerca da poeira humana: “os vivos são pó levantado; os mortos são pó deitado (caído); tu és pó e em pó te hás-de tornar”. Aqui está um bom exemplo para estabelecer as diferenças entre clínico e ambulatório; entre agudo ou emergente e continuado ou crónico… Não consta do relatório o “prestimoso” contributo para o “clínico” do dito, das nossas colegas, pois, além de não termos o privilégio de as conhecemos nem aos critérios de selecção, não teriam grandes hipóteses de sobressair, no meio de tanto clínico ou leitos personificados, estilizados (10-2). Apelamos à disponibilidade dos enfermeiros, para que se virem atentamente para estes fenómenos, que emergem, aos nossos olhos, pois fazem parte do assalto e das boas e más intenções dos assaltantes. Estão a perceber ou pretendem que expliquemos mais bem estes fenómenos? Cordiais Saudações Sindicais, |
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