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Os dois amores do Secretário de Estado... criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
08-Aug-2010

Andava tão entretido a conquistar simpatias, apoios e votos, com vista à mudança de rumo por falta de coisa melhor, tal a crise de valores no grupo onde adesivou, vencidos os seus últimos resquícios de comunista reconvertido, que ainda se notam aqui e ali, assim como a neve em degelo, ei-lo a tropeçar num dilema: o Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN).

Houve um projecto no HSJ que tinha menores custos e mais utilidade. Incluía a destruição dos pré-fabricados das consultas externas, incluindo um parque de estacionamento subterrâneo, para centenas de carros, além de espaço idóneo para consultas externas, além de, obviamente, instalação do CMIN. Isto aconteceu no curto e extemporâneo governo do PSD, em 2004.

Mas esta versão logo foi contestada pelos influentes do HGSA, capitaneados pelos socialistas influentes da Saúde do Norte (nossos admiradores e perseguidores) que reuniram no Hotel Tuela para tentarem anular o projecto do HSJ. O que conseguiram com a chegada ao poder do Partido Socialista Absolutista.

Ai de quem tivesse ideias diferentes!

O projecto Maternidade Júlio Dinis avançou, tendo todas as condições, menos uma: o terreno para construir o CMIN não existe, quanto ao restante, estava e está tudo certo, se houvesse terreno adequado para o instalar; não há. Mas não é o terreno a única falta; também não há um pingo de vergonha e decoro nos projectistas e projectores da ideia.

Tomemos com exemplo o acrescento do HGSA. A obra foi projectada para custar 4 milhões de contos que Costa Freire disponibilizou no PIDAC (foi acusado de ladrão por distribuir muitos milhões de contos pelos hospitais; até o de Valongo teve 88 mil contos. Chegou a estar preso.

Mas criou um conceito novo de ladrão. Ladrão não é só o que rouba; ladrão, com Costa Freire, passou a ser também o que não deixa roubar. Esticando um bocadinho a coisa, chegamos ao ditado: “ladrão que rouba ladrão, tem 100 anos de perdeu!”. Contas feitas, este ex-Secretário de Estado vai ter muitas centenas de anos de perdão.

De 4 milhões de projecto inicial, com as derrapagens, ou escorregadelas das obras, à portuguesa, sempre instaladas em cima de lamas escorregadias, causas imediatas das ditas escorregadelas, acabou por custar mais de 16 milhões de contos, ao Estado, apesar de ser um filho feito em mulher alheia, porque os terrenos são da Santa Casa da Misericórdia do Porto. (no léxico actual diz-se barriga de aluguer).

Paulo Mendo classificou o mamarracho de pedra do anel: há gostos para tudo!...

Quanto a nós, os responsáveis por aquela monstruosidade, visível a olho nu, para observador normal e despedido de pressupostos, devia, no mínimo, ter direito a uma pulseira electrónica, com residência estática obrigatória, para além de ser impedido de fazer mais mamarrachos.

Não sabemos por onde andavam, na época, os ambientalistas e os vigilantes dos Planos Directores da Cidade. Provavelmente estavam tão próximos dos executores que se misturavam com eles, daí o não terem vociferado, apesar do monstro estar à vista, para desonra e desvergonha de quem o criou.

Mas voltemos ao CMIN, projectado para os socalcos e escarpa da Maternidade Júlio Dinis, com 8 soberbos andares.

 Um espanto!

Perdidas as esperanças de o HSJ instalar o CMIN, como seria razoável admitir, num país onde não abundam os recursos, para estas guerras de alecrim e manjerona, entre faculdades de medicina e médicos individualistas, a quem a palavra associação de apetências e competências repugna claramente, lá vem uma solução à portuguesa.

Cria-se, no HSJ um “Joãozinho”, que é uma nova maneira de dizer CMIN.

Agregam-se à ideia uma boa mão cheia de personalidades das que dedicam uma grande parte do seu tempo ao apoio de ideias boas e generosas, que vão desde a política ao desporto, dos eclesiásticos aos voluntários do HSJ e o Joãozinho vai crescendo, enquanto projecto.

Se não fosse Rui Rio e o seu conjunto terem mandado para a banda, para darem a oportunidade de reflectir ao Zé bacoco distraído, nem se dava conta destes disparates.

Para sensibilizar os defensores das esmolas de Bruxelas, que pagamos com língua de palmo, como se tem visto, dizem que se não construirmos o CMIN até 2012, não esmolamos 21 milhões de euros…

Porém, se o projecto, sem as habituais derrapagens, muito mais previsíveis em terreno escarpado, custa 46 milhões e meio de euros; se Bruxelas contribui com 21 milhões, com a condição de o ramo de oliveira ser posto na obra em 2012, quem vai pagar os 25 milhões que faltam para os 46 milhões e as inevitáveis derrapagens orçamentais, que podem ser, numa visão optimista, mais 46 milhões?

Quem vai pagar os previsíveis 80 milhões de euros nos próximos dois anos?

Se o monstro do Santo António de 4 milhões de contos (atenção à moeda) passou para 16 e muitos, dada a proximidade, não é abusivo admitir mais e maiores derrapagens, naquele terreno, admitindo que a Câmara vai ter Manuel Pizarro a presidente, com maioria absoluta para alterar o plano director da Cidade do Porto…

Como uma desgraça nunca vem só, não estando a obra concluída em 2012, como tudo indica, lá se vão, também, os 21 milhões do benfeitor Bruxelas para a conta do pagante habitual, que, teso como um virote, sem dinheiro para mandar tocar um cego e rever a carreira dos enfermeiros, aplicando-lhes tabelas justas e merecidas, vai ter de pedir um empréstimo.

Manuel Pizarro merece bem este dilema: de um lado os Socialistas do Santo António e, do outro, os Comunistas do São João, com alguém nos segredou.

Se apoia o Joãozinho desagrada à sua família recente e lá se vão os votos e os projectos de mais um médico dos que renegam a arte; se apoia o CMIN, vai criar inimigos na sua outra família, a do São João, que caído em desgraça, por falta de treino e às aulas de contorcionismo, os mandantes e conselheiros deste Hospital, podem destacá-lo para pastar os ratos do zero dois, fim inglório, embora merecido, de quem tinha tanta ambição.

De nada lhe valeu ter-se transformado em “enfermeirofago”. São dele as palavras usadas numa dessas reuniões socialistas para angariação de fundos políticos: “…quanto aos enfermeiros, já os comi!”.

Soares Martinez dizia: “ A raça branca, cansada de viver, deixou de procriar”.

Se tanto espaço para bebés não é para os fazer de plástico, ou por colonagem; se se destina a dar cobertura ao cada vez mais exíguo número de nascituros, os autores destas ideias vão ter de começar por explicar o que pretendem fazer, para além do que já fazem em pediatria e neonatologia, cada vez com menos matéria-prima?!   

É verdade que o CMIN é uma aspiração velha de 30 anos…

Mas não é menos verdade que, em 30 anos, muita coisa mudou. Os pais do planeamento familiar podem olhar para a sua obra que até inventou o conforto de não gerar filhos!

Aqui, como no tempo, não se pode ter sol na eira e chuva no nabal, dada a proximidade de ambos, com interesses contrários.

Para já, o Secretário tem estado calado e parado porque partiu a bengala que lhe permitia detectar os buracos na noite escura e chuvosa. A nossa curiosidade é vermos em que sentido vai avançar e qual dos dois amores vai renegar.

Cordiais Saudações Sindicais,
A Direcção do SE.

 
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