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A precariedade na Enfermagem. criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
08-Aug-2010

Os Enfermeiros e os Médicos não podem beneficiar do estágio subsidiado, para licenciados, lê‑se nas notícias de rodapé da televisão.

Portugal é o 3º país da UE com mais contratos, só antecedido da Polónia – o 1º e da Espanha – o 2º.

A precariedade, em Portugal, assenta essencialmente na falsa opinião do FMI e outros especuladores, que se alimentam do suor dos trabalhadores, argumentam que as leis laborais em Portugal são demasiado rígidas e os despedimentos, sem justa causa, não são viáveis; se assim é (e não é) não se deve admitir quem não se pode despedir facilmente, daí resultando o enorme volume de contratos precários.

Influenciados pela voz corrente os gerentes que invadiram as instituições de saúde, pouco conhecedores de gerências e nada de saúde, abominam as carreiras sem saberem porquê, simplesmente porque algum dos peritos que os formaram, deformados, fixou-lhes a ideia do “carreirismo” e dos “males” que provoca na exploração do ramo saúde, sobretudo com os enfermeiros.

Profundamente desconhecedores do ser humano, não entendem a integração dos enfermeiros nos serviços onde devem estar o mais tempo possível; nem as vantagens que há em preencher carências permanentes, com enfermeiros estáveis. Nem sabem, porque não têm lastro mental para saberem, quanto beneficiariam os doentes e a economia dos serviços com contratos duradoiros dos enfermeiros!

Quando não houver dinheiro, nem mesmo pouco, para sustentar os caprichos e vícios dos donos da saúde, o gerencialismo vai ter, somente os gerentes precisos e os enfermeiros vão ter carreiras aliciantes. A “carne para canhão” como dizia Emílio Zola, na sua obra a “A Besta Humana”, a propósito do comboio desgovernado carregado de soldados para a guerra, vai deixar de ser prática corrente, como está a acontecer.

Desconhecedores profundos do ser humano e de muitas outras coisas, além de começarem a ser pesados e chatos aos serviços, por enquanto hospitalares, contratados com fins que investigamos, antes de rotular, pois o demiurgo responsável por este arquétipo, tem mais qualquer coisa subjacente, além de emprego fácil e bem remunerado, de acordo com a utilidade prática do trabalho que fazem, enquanto filhos e amigos da empresa “jobs for the boys”, que vão mantendo, com a prestimosa colaboração do ROC, as sondagens do PM profundamente inflacionadas, relativamente ao valor da pessoa que sondam, se olhassem os resultados.

Meter Enfermeiros e Médicos no mesmo saco, acerca dos auxílios no desemprego, não é coisa parecida, pois, enquanto os médicos, através dos internatos têm o em+prego garantido, acabado o curso, os Enfermeiros ficam sujeitos aos exploradores que montam clínicas privadas por todo o lado, que não se coíbem de oferecer 9 euros ou menos,  por dia aos Enfermeiros com pelo menos 2 anos de prática, mamando no trabalho escravo dos Enfermeiros, durante mais ou menos meio ano e depois, buscam novas vítimas.

Temos de puxar pela cabeça e encontrar mecanismos que impeçam esta exploração imprópria do século em que estamos a viver.

Que dirá a isto o FMI e os que dizem que a nossa legislação é muito exigente, em matéria de empregabilidade e é difícil despedir trabalhadores. Nos enfermeiros isto não é assim.

Uma excessiva empregabilidade dos enfermeiros no SNS fez com que não se adquirissem contratos colectivos, em tempo útil.

A experiência dos nossos colegas do SEP com esse misérrimo contrato com a hospitalização privada, ainda veio dificultar mais as coisas.

Estamos a preparar as alternativas a tudo isso, pois é oportuno passar da defesa ao ataque, pois este é sempre a melhor maneira de defender.

Na nora, os alcatruzes nunca estão todos em cima nem todos em baixo; uns sobem, outros descem.

Temos por isso de inverter o ciclo.

Mantenham-nos informados da vis explorações a que são sujeitos e não tenham medo de represálias.

Cordiais Saudações Sindicais,
O Presidente da Direcção do SE — José Azevedo

 
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