| Portugal mais alto... |
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| 13-Aug-2010 | |
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Haja Deus, nalgum ponto tínhamos de ser o mais alto da União Europeia (o altius): somos os maiores e melhores gastadores com a saúde. Já deixámos muito para trás a Grécia que não conseguiu mais que uns míseros 6,2 ponto percentuais e, ainda mais longe fica a Lituânia com 5 pontos percentuais. Portugal e o Primeiro-ministro podem orgulhar-se dos seus 8 pontos, que lhe conferem com todo o mérito o primeiro lugar destacado. “De Roma com sabedoria” foi um tema que abordei em 31 de Maio P.P. – “ E a medicalização que está a tomar conta da nossa vida, a partir das criancinhas, dizia ainda, a correspondente referida. É preciso pôr-lhe cobro pois está a pôr em causa a nossa liberdade de escolha sem as tais garantias do tipo científico, ou seja; sem quaisquer garantias de sucesso, porque com uns dá bem assim, com outros, dá mal e, com outros, nem bem nem mal”. Agora, já nem o desporto fica de fora. A aura mítica da medicalização da nossa vida vai ao ponto de não se poder chamar filho desta e/ou daquela a um agente da medicalização, quando em serviço, vá colher as excreções dos humanos jogadores a horas de conveniência do colector e, ao que supomos por experiência, de franca perturbação do colhido, em repouso estratégico, segundo a crença de quem tem uma missão a levar a cabo (o campeonato mundial 2010). Aquilo que foi um desabafo oral, que até podia ser um arroto, ou anal, através do traque (pop. peido) do responsável pelo equilíbrio psicofísico dos jogadores, é tido como uma “blasfémia”, perante um embaixador de Esculápio, herói divinizado, cujo animal sagrado é a serpente. As caixas de ressonância que temos em Portugal, que tanto podem ser simples Secretários de Estado ou complexos manufactores dos média, destinam-se a ampliar as banalidades no sentido de qualquer das suas conveniências. O seleccionador tem de dar o lugar a um boy da súcia, por isso, aplica-se-lhe a sabedoria que nos vem das fábulas de Fedro, transformando o representante da divina medicalização no mote ou lobo, que vai comer o cordeiro que disse mal dele mesmo antes de ter nascido. É por esta subordinação à medicalização em tudo que diz respeito à nossa vida diária, que todos os nossos actos são controlados directa ou indirectamente por um qualquer embaixador de Esculápio. Segundo Píndaro e Ésquilo, um dia Esculápio que fora educado pelo centauro Quíron, na arte de curar, excedeu os seus limites e ressuscitou um morto. Zeus não gostou deste abuso e fulminou-o com um raio, para repor ordem normal da existência humana: nascer, crescer e morrer. Hoje não se ressuscitam os mortos, dá-se a ilusão ao vivo que só morre se não for ao médico ou este deixar. É o mito visto ao contrário.É por estas e por outras que estamos em primeiro lugar nos maiores consumidores nos países vizinhos da União. Isto é assim porque uma desgraça nunca vem só. Claro se torna que há uma estrutura diferente que, quando estiver apta a actuar, de acordo com as circunstâncias, vai regularizar esta mitificação medicalizadora; trata-se da Enfermagem. Parir um novo paradigma, onde a Enfermagem ocupa a sua posição estrutural, no SNS, actualmente sem alicerces, em que se está a transformar progressivamente, é difícil e doloroso, sobretudo para as vítimas de que não excluímos os enfermeiros. A distância entre a escola e o exercício dificulta esta actualização paradigmática, pois sem a colaboração da escola é mais difícil mudar o paradigma. A acção da escola é fundamental. Quem a afasta ou se afasta não pode deixar de se sentir responsável por este atraso no parto desse inevitável paradigma, perante a extinção natural do actual, que morre sem herdeiros. Quando alguém diz que o Governo actual não vai reconhecer a licenciatura dos enfermeiros, porque isso implica agravar os custos. Ora se tem cuidados de Enfermagem baratos, por que há-de torná-los mais dispendiosos, pagando maior salário aos enfermeiros? Quando alguém diz que os médicos não estão interessados em negociar novas tabelas salariais, porque a trabalharem à peça e nas urgências ganham muito mais, quer dizer que é a falta de acutilância na luta por parte dos enfermeiros, que permite estas gabarolices. Está cada vez mais próximo o modelo em que se vão separar as águas e cada um fazer o que pode por iniciativa própria e não por delegação (aqui está uma consequência de os docentes de enfermagem se afastarem do exercício, o que exige uma clara definição de que tipo de docentes precisam os candidatos a enfermeiros). É exactamente por os enfermeiros não terem o papel activo e autónomo na definição das políticas e acções de saúde que proliferam explorações escandalosas da ingenuidade popular, que crê que basta ir ao médico para afastar para muito longe e por muito tempo, aquilo que é conhecido como morte. Se os Enfermeiros evidenciarem as suas prestações na Saúde, desmistificam a divina medicalização de raiz Esculapiforme e até embaratecem inevitavelmente as despesas, ao demonstrarem logicamente como, nem sempre, é racional ou necessário o recurso a muitos meios desajustados das eventuais afecções de saúde, a pretexto falacioso da medicina defensiva, que mais não é do que uma forma disfarçada de alimentar estratégias e estratagemas. Cordiais Saudações Sindicais, |
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