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Sinais dos tempos... criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
22-Aug-2010

Há dias um desses supervisores muito senhores do seu papel, até porque nele, é provisório e sinal dos tempos, dizia a uma colega, também Enfermeira, obviamente, “se, quando escolheu o curso de Enfermagem, não sabia para o que vinha”?!

Trata-se de ela ter dito “não” a um convite a ficar a fazer horas extra, pagas em tempo, como está a tornar-se regra no único grupo da saúde – os enfermeiros – num serviço, mal dirigido, onde o bloco cirúrgico não tem cirurgias de urgência e as intervenções são marcadas segundo as conveniências dos médicos de ORL e das disponibilidades mentais da que faz de directora impugnada, para pensar nessas coisas. Não peçam provas, constatem.

Não obstante todo este descuido, na preparação das cirurgias, há que contar com a presença, disponibilidade e participação das enfermeiras, no acto, independentemente da sua condição humana.

Maria Joaquina nega-se a ficar depois de terminado o seu turno normal, para participar numa cirurgia de marcação anárquica, não urgente, porque do seu diário faz parte o compromisso de ir buscar os filhos ao infantário, com hora marcada, coincidente com a do acto cirúrgico referido.

Não era urgente, portanto, porque aquele bloco de ORL não tem urgências, dizem-nos, mas já o sabíamos.Há duas questões prévias a colocar:

(1) Se esta Enfermeira e Mulher tivessem optado por renegar o seu estatuto de mulher e mãe, não haveria incompatibilidade com a profissão que escolheu;

(2) Se o serviço de ORL fosse dirigido em função das necessidades dos doentes e não dos interesses vários dos médicos que aí laboram, haveria actos com horários marcados previamente e não ao sabor das circunstâncias, entenda-se: interesses alheios ao serviço ORL. E disponibilidade para cumpri-los.

Vão longe os anos 60, em que as enfermeiras podiam ser mães, mas não casadas e trabalharem em hospitais públicos. Tal preceito significava mais ou menos isto: porque são mulheres, podem ter filhos mas não lhes é reconhecido o casamento, isto é; se querem ter folhos o problema é vosso mas isso não é reconhecido na Enfermagem: mãe e enfermeira é coisa que não rima. Se insistirem, desde que isso não perturbe a profissão, tolera-se, mas não se apoia nem se reconhece.

Não conhecemos nem reconhecemos o saber histórico do nosso supervisor, de circunstância. Mas conhecemos a origem deste imaginário na Enfermagem, que para alguns, retira às Enfermeiras os direitos humanos mais elementares, como o de ser mãe e acompanhar os filhos. Talvez por essa razão a nossa visada optou por turnos fixos, menos bem pagos, obviamente…

A Declaração Universal dos Direitos do Homem é da mesma época do reconhecimento den as Enfermeiras serem profissionais e mães, ao mesmo tempo. Ora se este direito é reconhecido universalmente, é por de mais evidente que ou Portugal não faz parte da Humanidade, ou para alguns esse direito não é reconhecido.

Ao chamar um supervisor para este ditar a sua sentença há subentendida a certeza de que este irá actuar de forma a sonegar os referidos direitos à Colega, para manter intocáveis direitos, a mais, noutro grupo, os tais que não têm conta nem medida.

Façam um exercício mental e imaginem que o referido supervisor ditava a regra de respeitar o horário da Enfermeira, sua colega e que dita a razão da existência do supervisor!

Seria o que lhe competia, aproveitando para reafirmar que as regras são para todos respeitarem e não apenas alguns; que os horários são para cumprir, por todos e não ao sabor do funcionamento e afluências de doentes dos consultórios particulares dos médicos, de modo a desrespeitar os direitos dos enfermeiros a uma hora de entrada e da saída, desde que não alterada por qualquer razão imprevista e não por rotinas atrasadas, como é o caso!

A culpa destes sinais é dos tempos, que discorrem, cujo discurso é alheio àqueles que não têm estofo para serem heróis, por isso não fazem um pequeno esforço para contrariarem as tendências. Montam-se na corrente e deixam-se arrastar por ela. Podiam colocar-se do lado que lhes diz respeito, mas… Apesar de a volta a Portugal em bicicleta já ter acabado, ainda continuam a imitar os ciclistas, pedalando sem bicicleta, vergando a cerviz, para cima, dando pontapés, para baixo.

Duma coisa temos a certeza; com estes imitadores de ciclista a Enfermagem não vai a local que se veja, de longe!A desgraça maior é não ser um caso isolado, havendo o perigo de abrirem uma escola. Oxalá tenhamos força e lucidez bastantes, para lhe impedir a abertura; professores já há muitos, a darem explicações em casa.

Eles sabem o que quero transmitir…

Cordiais Saudações Sindicais,
O Presidente da Direcção - José Azevedo

 
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