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Globalização ou Anfibologia? criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
25-Aug-2010

Os antropólogos defensores da antropologia global têm acerca de Deus e do Diabo uma teria que dizem ser uma e mesma pessoa; tudo depende da maneira como o enfrentamos: é Deus, se está connosco; é Diabo, se está contra nós. Serão, segundo estes teóricos, duas faces duma mesma moeda.

Porém, o Zé Povo, que não vai em cantigas, diz que ninguém pode servir a dois Senhores, ao mesmo tempo, mas há quem tente. Vem isto a propósito da posição da Ordem dos Enfermeiros, acerca do encerramento do SAP do Centro de Saúde de Valença.

Numa informação à população local dizia a OM que: “… enquanto associação profissional de direito público, cujo desígnio fundamental assenta na defesa da qualidade dos cuidados de enfermagem prestado à população, vem por este meio informar que, na actualidade, os recursos existentes para fazer face a situações de urgência/emergência, apresentam condições adequadas a uma resposta eficaz às necessidades da população de Valença. Os meios colocados à sua disposição, nomeadamente as ambulâncias de suporte imediato de vida (SIV), dotadas de recursos humanos especializados e equipamentos, estão preparados para resolver, de modo eficaz e seguro, situações de ameaça à vida, de doença súbita, de tratamento à dor e de trauma e transporte em condições seguras a unidades hospitalares diferenciadas. Estas condições não se verificavam no anterior modelo de atendimento (SAP), onde os recursos existentes não cumpriam os requisitos exigidos para dar resposta a verdadeiras situações de urgência/emergência. Pelo exposto, consideramos o encerramento do SAP do Centro de Saúde de Valença – enquadrado na reforma dos Cuidados de Saúde Primários e Rede de Urgências – uma medida que contribui para a melhoria da qualidade e segurança dos cuidados prestados a esta comunidade.

Na emergência pré-hospitalar, o enfermeiro é o único profissional que tem uma acção transversal e polivalente a todos os meios de socorro (directos e indirectos), possuindo competências altamente especializadas que lhe permitem uma actuação de rigor e excelência, em parceria e estreita articulação com outros profissionais de saúde, destacando-se a sua intervenção nas ambulâncias SIV.

Pelo exposto, estranhamos e lamentamos que um meio de comunicação social, com responsabilidades públicas, neste caso a RTP (no Prós e Contras de Fátima Campos Ferreira, natural de Valença) realizasse um debate profissional político, inserido nesta temática, não incluindo, no painel, enfermeiros peritos na área da emergência pré-hospitalar, permitindo unicamente opiniões unilaterais de um grupo profissional (o médico obviamente), veiculando à população juízos desfasados dos contextos de tomada de decisão”.

Servindo os interesses da população de Valença sem postergar os dos enfermeiros do SAP, o SE dizia, a propósito do referido debate, com médicos, autarcas e representantes da população de Valença; «….. seriam inúmeras as metas que atingiram com o debate, falhando, porém na mais importante: como se vai resolver o problema da população de Valença no que respeita ao direito de assistência na saúde, no local?

O Sindicato dos Enfermeiros, instituição atenta e preocupada com os problemas nacionais, respectivamente os que envolvem profissionais de saúde e comunidade, reitera junto de V. Exª. a sentida falta de consideração para com os Enfermeiros, não os tendo representado no painel do programa que liderou. Desta forma, informamos que, os profissionais de Enfermagem são igualmente elementos importantes na resolução do assunto em epígrafe e só entenderá esta postura se o programa continuar com a presença dos outros profissionais envolvidos, visto tratar-se de equipas multidisciplinares».

A OE dirige-se à população visada; o SE dirige-se à jornalista sectária, com a agravante de ser de Valença e familiar, em primeiro grau de representantes na autarquia, que punham o cadáver à disposição para que o SAP não fechasse senão por cima desse cadáver.

Só um manifesto desprezo duma jornalista, que foi casada com um médico, pela Enfermagem, não por desconhecimento mas por sectarismo tendencioso ou vingativo, pôde permitir esta lacuna não inocente.

Como uma desgraça nunca vem só, diz o Zé, a mesma OE dirige-se à Enfermeira Chefe do CS de Valença, tendo como assunto o protocolo de colaboração, nestes termos:

Em resposta ao desconforto verbalizado por V. Ex.ª., na reunião ocorrida nas instalações da SRN a 16 de Abril de 2010, resultante da Informação à população de Valença realizada pelo Conselho Directivo Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros a 13 de Abril de 2010, foram desenvolvidas por esta secção visitas de acompanhamento do exercício profissional ao CS de Valença, SIV de Valença e SUB de Monção.

Constatado que a SIV fornece uma resposta de maior segurança para o cidadão de Valença; informamos que anteriormente ao encerramento definitivo do SAP de Valença era a equipa da SIV que assegurava todas as situações de necessidade de Suporte Imediato de Vida dentro das instalações do SAP. (Então que faziam os Enfermeiros do SAP? É que não são os mesmos…)

Da visita ao Serviço de Urgência Básica de Monção resulta a constatação de excelentes condições para atendimento de situações de urgência/emergência:

…..

Estrutura de grande qualidade com sala de atendimento dotado de todos os recursos necessários à resposta a situações de emergência, unidade de internamento, com 4 camas e unidade de isolamento, sala de inaloterapia, Radiologia a funcionar 24 horas/dia.

…..”

Dois reparos que consideramos importantes:

O primeiro é o esquecimento da OE para com os Enfermeiros do SAP, profissionais de reconhecido mérito local e a confusão que faz ao chamar, para Valença as maravilhas assistenciais de Monção (SUB), que ninguém pôs em causa nem em destaque, por estarem fora do contexto;

O segundo é o comunicado dirigido à população e não à Fátima Campos Ferreira, autora do crime de sectarismo nauseabundo.

No ofício à Enfermeira Chefe a que nos estamos a referir ainda contradiz a SRN da OE: “ …. Fundamentada nestas visitas de acompanhamento do exercício profissional, cumprindo o seu desígnio de “defesa da qualidade dos cuidados de enfermagem, prestados à população” consolida a informação dada à população a 13 de Abril de 2010: actualmente os recursos existentes para fazer face a situações de urgência/emergência apresentam condições mais adequadas a uma resposta eficaz às necessidades da população.

Aproveita ainda para formalmente agradecer à equipa de Enfermagem do CS de Valença todo o esforço no SAP para dar resposta às necessidades dos cidadãos de Valença. Convictos das competências diferenciadas da equipa de Enfermagem do SAP de Valença lamentamos que não tenham integrado a equipa de Enfermagem da SUB de Monção (que é ali ao virar da esquina); a sua integração teria sido indiscutivelmente uma mais-valia para os cidadãos de Valença e Monção.”

Mais uns breves reparos, antes de entrarmos numa análise mais profunda, assim como às graves consequências para os prestadores de cuidados de Enfermagem, a que estas confusões deram origem e, admitamos, por enquanto, ingénua cobertura.

Para que conste; esta de servir a Deus e ao Diabo, enquanto faces da mesma moeda, segundo os antropólogos globalistas, leva necessariamente, a ambiguidades anfibológicas, pois não se podem defender qualidades do que quer que seja, menosprezando quem presta os cuidados, os agentes da acção, neste caso, os Enfermeiros do SAP, que já lá estavam, antes do inditoso comunicado à população e da criação apressada da SIV. A população a quem o comunicado foi dirigido sabia mais bem isso do que a OE. Por lhe tirarem esse benefício, reclamaram com a veemência conhecida.

Os cuidados da SIV não poderiam ser nunca superiores aos prestados pelos Enfermeiros do SAP, aos quais a OE, entrando na tal anfibologia descuidada e, aparentemente ingénua, reconhece subido mérito, ao ponto de lamentar a sua exclusão do SUB de Monção, sem cuidar de saber se isso lhes interessava e se esse era o desejo da população. Bastava ver as sucessivas manifestações, para não ter dúvidas dos reais interesses. Bastava estar mais atento às manifestações da população do que à política desastrosa de Manuel Pizarro e o seu séquito.

Se era para fazer mais um jeito ao Secretário de Estado, Manuel Pizarro, em tão difícil conjuntura, (lembramos a sua presença na entrega das cédulas a novos Enfermeiros, em vésperas de eleições legislativas, onde enganou os jovens laureados dizendo que não tinha empregos para eles, mentindo-lhes descaradamente, num evento da sua Ordem Profissional) então a OE fez um bom e prestimoso papel; se era para fazer justiça à qualidade dos cuidados prestados no SAP de Valença e, sobretudo a quem os prestava e continua a prestar, não obstante os vexames que estas ambiguidades proporcionaram com tendência para durarem, então a OE andou mal, muito mal, ao querer servir a Deus e ao Diabo, num só momento.

Como este assunto tem muito mais que se lhe diga, com as consequências que se estão a generalizar, como se pode constatar pela portaria 801/10 de 23 de Agosto, a propósito das competências dos Enfermeiros, temos de o desenvolver mais, amanhã. Por hoje, basta.

 

Cordiais Saudações Sindicais,
O Presidente da Direcção - José Azevedo

 
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