| O outro cantar do cisne... |
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| 02-Sep-2010 | |
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Quando Correia de Campos, ex-ministro da saúde, de memória triste, para os enfermeiros e, sobretudo para o SNS, vai dizer o que não quis, ou não pôde dizer, enquanto titular da pasta, lembra-nos a morte do cisne que antes de morrer canta. Este, além de cantar, também escreve, à retardador, o que não teve a coragem de fazer. Esta da exclusividade dos novos contratados médicos, só é original, porque no SNS só há quem repare no que acontece com os médicos. Com os enfermeiros já estão a fazer contratos de exclusividade, há muito tempo. Todavia esses não merecem notícia especial. Já sabemos que está a dar uma ajudinha à tese que deixou, de pagar aos médicos hospitalares, como se paga nas USF tipo B 4740€, só de incentivos fixos, mais os incentivos móveis que resultaram da bolsa adicional, dos cuidados que os enfermeiros prestam para médico “empochar” . Diz o nosso herói sábio: “Os novos recrutas do SNS deveriam ter prática exclusiva, o que implica que é preciso fazer no sector hospitalar aquilo que já se fez no sector dos cuidados primários, isto é, pagar não por antiguidades, carreiras ou categorias. A base retributiva deve ser o desempenho”, disse Correia de Campos à agência Lusa. Uma regra que só se aplicaria aos novos médicos, deixando os antigos sujeitos às regras existentes”. Reagindo à sugestão, o bastonário da Ordem dos Médicos, não percebendo ou fingindo não perceber o alcance das bocas de CC, lembrou que se os profissionais trabalham no público e no privado é porque são mal pagos no SNS. E aproveita para dizer ao ex-ministro que “já teve a sua oportunidade, como governante”. (E é bem feito!). “A proposta é para os novos médicos para, assim, se pagar pouco”, diz Pedro Nunes. E lembra que os médicos complementam os ordenados no privado “ trabalhando nas horas em que deveriam descansar”. A exclusividade “ não tem nenhuma vantagem para o sistema”, por torná-lo “mais caro” e “muito mais rígido”. O bastonário vai mais longe e realça o facto de a massa salarial dos médicos representar em Portugal, 40% dos custos dos do SNS, contra 80% noutros países. “Os bons resultados do SNS têm dependido do facto de pagarem muito mal aos profissionais. Têm sido os médicos que têm subsidiado o SNS”, defende Pedro Nunes. (JN de 01.09.10). Já dissemos o que pensávamos sobre estas matérias, que são várias. Mas nunca é de mais repetir, porque na repetição, há sempre aperfeiçoamento da coisa. Por exemplo, toda a formação médica é feita em instituições do Estado, pagas pelo erário público, desde a formação da licenciatura à das especialidades; nestas, já há salário, não despiciendo. Isto não acontece com mais qualquer licenciatura. E se compararmos com os enfermeiros todos sabemos que estes se formam a expensas próprias e, depois, o Estado suga o sumo dessa formação sem grau correspondente, nem salário adequado. O que não deixa de ser aberrante é tanta formação de borla ou quase, e remunerada, na parte final, não tenha um peso minimamente moderador da definição dos salários médicos. Já houve tempo em que os enfermeiros eram obrigados a permanecer no Estado, para amortizarem bolsas de estudo concedidas. Depois a massa salarial do nosso SNS 80% vai para pagar a médicos onde os esquemas de obter salários sumptuários, sempre com o espartilho de serem poucos e maus. Que dirão todos os outros trabalhadores da saúde cujos salários não atingem 20% do bolo de que 80% são para os dos médicos. Trabalham nas horas de repouso, argumenta o seu bastonário. Mas só se esqueceu de acrescentar que descansam nas horas de serviço (público). Aquelas 24 horas de urgência que dão para uma semana ou duas, de desculpas e trabalho aparente, pois além de dormirem toda a noite, porque as coisas sérias só com o nascer do sol é que se resolvem, operam e fazem as consultas, enquanto os enfermeiros asseguram, como valentes as urgências, quer de noite, quer de dia. Também não sabemos quanto o Estado gasta, ao certo com os cheques à privada. Quando o soubermos já é fácil fazer as contas que são tão lineares, como isto; o Estado paga aos médicos para descansarem nas horas de serviço e paga aos privados para pagarem aos médicos, a fim de realizarem nas horas de descanso, com outro salário, aquilo que não realizaram nas horas de serviço, nas quais descansaram. A tudo isto há enfermeiros que assistem pacifica e placidamente alheios como não sendo coisas que não lhes dizem respeito. Se se lembrassem que ao afirmar-se que 80% da massa salarial dos trabalhadores de saúde vão parar ao bolso dos médicos e só 20% são para pagar a todos os outros, onde se incluem os milhares de enfermeiros, teremos uma outra vertente de 40% das despesas do SNS serem para salários médicos. A negligência do Primeiro-ministro é fingir que nem sabe nem vê estas coisas. Nós vemos estas e muitas outras e sabemos também onde bater. Cordiais Saudações Sindicais, |
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